Me deu vontade de gritar ao mundo, toda a minha experiência com drogas, ao absurdo que essa escolha me levou. Não vou poupar palavras, palavrões, sentimentos, nenhum deles, todos seram ditos sem a menor maquiagem, afinal se não poupei minha vida, não será agora que vou medir palavras.

Tudo que ler é a mais pura verdade, como vivo agora e muitos momentos de meus diários, escrevi tudo esses anos todos. Não vou citar nomes verdadeiros, nem o meu, muito menos os daqueles que comigo dividiram esses 26 de vida no uso ativo de drogas. As informações que eu omitir será apenas para evitar que invadam minha privacidade, minha vida no momento.

Não sei que ordem vou dar a cada postagem, não sei se vou seguir ordem cronólogica. Vai assim do jeito que eu sentir vontade de contar. (Desculpem, se na forma de redigir contém erros seja eles quais forem eu sei que é agradável aos olhos ler algo sem erros, mas como não sou escritora e estou mais atenta aos sentimentos, é bem provável que vá acontecer mas vou tentar me policiar).

Caso queiram entrar em contato, para dúvidas, perguntas, alguma curiosidade - email:
existenciaativa@hotmail.com

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Mais um ano

7 anos, 1 mês, 2 dias..

Sigo limpa, sem droga alguma no meu corpo.

O grande ganho de hoje é conseguir diferenciar quem sou; e o que em mim foi causado pelas drogas. Hoje consigo separar isso. Vocês não imaginam o alivio que é isso. porque durante muitos anos isso foi um tormento pra mim, por exemplo, eu me sentia mal, ai não sabia se era físico, emocional, psicológico, espiritual, se era alguma doença real do meu corpo, ou se era consequência temporária das drogas. De enlouquecer!

Ou não gostar de algo e bater o pé, responder de forma grosseira. E alguém dizer  que não tinha lógica o meu comportamento, ou o que eu dizia. E eu pensava, será que não tem lógica mesmo?  Eu não tinha discernimento, do que era uma opinião pessoal ou do que poderia ser influência por alguma alteração de humor causado pela droga... não sei de entendem mas o caráter fica danificado, no uso!

Hoje eu sei dos meus defeitos, são meus..Fico até feliz por encontrar e assumir meus defeitos...rs

E tb minhas qualidades, sem me sentir usada por algo que me desnorteava. Sou eu, fazendo ou não, porque gosto, porque quero, porque sou eu.

É isso, hoje eu sou de verdade e, é fantástico no meio dessa loucura toda que é viver de cara, ser de verdade!

domingo, 4 de outubro de 2015

A vida segue do jeito que é, sem ilusões

A vida segue, estou bem, sem drogas, não sinto mais desejo de usar, às vezes a vontade aparece, mas ela não me tira mais o sossego, me causa sim um certo medo, por sentir vontade, mas a vida mudou tanto que não vale a pena nem pensar mais que uns segundos. A vontade vai embora, perdeu a prioridade, não a alimento mais, não quero mais, não preciso mais.

Sou outra pessoa hoje em dia, a vida sem a cortina das drogas se mostra como ela é, as vezes acontecem coisas boas, noutras coisas ruins, porque é assim. Hoje consigo distinguir, quando por exemplo, fico ansiosa, ou nervosa ou com medo, consigo saber de onde vem esses sentimentos, se é fator emocional, psicológico ou falta de uma atenção espiritual. Hoje tenho organização nesses momentos, não é mais a loucura que foi um dia, que eu não sabia o que sentia, porque sentia de onde vinha, quando acontece, vejo o que me aflige, o porquê, e encaro os problemas de frente, não fujo e tenho discernimento, aprendi a ter isso.
Gosto dos dois lados das coisas, de analisar, ver, não ajo mais por impulso não. Penso antes de qualquer coisa, penso muito, não estou nem um pouco interessada em me ferir mais. Seja com o que for.
Gosto de pensar, mas isso me cansa, porque minha cabeça nunca para, acho que isso não muda. as vezes desacelero, mas logo retorno ao padrão mente hiperativa (mas para por ai, porque no mais continuo na preguiça..rs)
Continuo com dificuldade de concentração se estou lendo um livro, por exemplo,  me perco na leitura, pensando em outras coisas, volto e releio.. é isso não mudou.
Mas sei como conviver comigo e com ou outros.
Aprendi a rir de mim mesma, uma delicia isso! Algumas sequelas ficaram, mas brinco com isso e tudo ficou mais leve, não fico me chicoteando. Minha estima melhorou muito!!
Sou sensível, mas gosto da razão, longe de ser uma sonhadora.
Estou bem, estou limpa, ajudando outros dependentes químicos, indo à clinicas, hospitais, psiquiatrias, cracolândia, etc. E uma forma de retribuir a vida que ganhei de volta, graças a irmandade de N.A. e muito me ajuda a continuar limpa.

Meu email continua o mesmo existenciaativa@hotmail.com, tem ele ai em cima.

Quero agradecer aos emails que recebo, as pessoas que me procuram. Vcs não sabem , mas me ajudam tb.

A vida segue, do jeito que é, sem ilusões.

Estou limpa a 6 anos, 6 meses e 14 dias. Só por hoje!

Abraços.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Mais um ano sem drogas!

Cinco anos se passaram, eu continuo limpa graças a Deus a minha vontade a ajuda de Narcóticos Anônimos.  
Muitas coisas mudaram, em minha vida, hoje tenho uma serenidade, uma paz interior que antes não tinha. Tenho uma compreensão da realidade, que a droga me tirava.
Ainda tenho medos, ansiedades, inseguranças, mas aprendi a não fugir de nada através de drogas, não me anestesiar e sim, entender a situação, resolver o problema. Me resolver.
Vontade de usar, as vezes sinto, fazer o que, tenho doença sem cura, mas não alimento essa vontade, aprendi que toda vez que sinto vontade, na a maioria das vezes e porque tenho algo a resolver dentro de mim, alguma coisa pendente que estou consciente ou inconscientemente fugindo. Então, pesco ajuda olho a vida de frente e sigo.
Tenho ido a muitas clinicas.. de desintoxicação, psiquiátricas.. entendi que o melhor que posso fazer e ajudar, ao menos tentar ajudar o próximo que ainda sofre.
Muito gratificante isso.
Vim pra dizer que sempre estou por aqui, continuo recebendo emails e respondendo.

Da vida, não posso reclamar mais, já sofri demais e agora quero apenas entender, aceitar ou  não, e seguir. Hoje posso dizer que gosto mais da vida. E gostou muito mais de mim. Eu não me drogo mais a 5 anos e 14 dias, só por hoje.

domingo, 14 de abril de 2013

Quatro anos sem droga... renascendo...racionalizando ...sentindo.

Estou a 4 anos sem o uso de drogas, como está sendo ficar limpa esse tempo... Devo dizer que foi um turbilhão de sentimentos, de muitos questionamentos, de aprendizado, entendimento. Aceitar a vida sem anestesia, voltar pra esse mundo real.
Ficar sem droga a essas alturas é o de menos, a vontade ainda existe, mas fica em segundo plano. O mais complicado foi e ainda é mudar todos os hábitos adquiridos ao longo de tantos anos. Entender dentro de mim, o que é razão, o que é emoção. O que eu sempre pensei...o quanto sou eu de verdade e o que é resquício das drogas, ter compreensão, humildade para  aceitar que muitos dos meus pontos de vista estavam errados.
Não mudei em muitas atitudes externas, trabalho, disciplina, ainda não vi grandes mudanças, mas internamente, muita coisa mudou...
Consegui nesses 4 anos limpa, me respeitar, sempre fui introspectiva, penso, penso, racionalizo, peso, sinto, se houver um sentido emocional, faço, se não tiver, não faço, simples assim. Não me prendo mais, já que o meu conceito de liberdade era totalmente errado, pois era escrava das drogas e agora não sou mais, me dou ao direito de ir e vir, pela minha razão sim, mas sem deixar jamais de lado o meu sentimento, eu sou a pessoa mais importante, pra mim mesma. Se eu não estiver inteira, ninguém que amo estará (não no meu ponto de vista).
É a vida tomou outro foco, outro rumo, quero mais de mim, quero mais dos que me ajudam, mas quero só o suficiente, não faço sobre hipótese alguma, o que não me faz sentir bem comigo mesma.
Não me relaciono com quem me machuca, sai de um padrão de relacionamento que não era bom, porque afinal eu só queria me machucar mesmo, e não falo somente de relações amorosas.
Aprendi a abrir mão do “controle” se o meu foco, o meu jeito de fazer ou pensar está em desacordo com o que quer o, então não ajo, não faço do meu modo, deixo nas mãos de Deus, pode parecer algo de religião isso, mas não, é aprender a entregar algo da minha vida, nas mãos de Deus, isso me deu uma paz interior enorme, isso se chama fé.
Estou me encontrando!!... Vocês não tem noção do quanto quis, desejei, implorei por isso.
Ser apenas eu, sentir de verdade, ser humana, viver esse momento, sem estar perturbada. Momento paz de espírito. Amém! 

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

OLÁ, SOU TUA DOENÇA

Olá...só para o caso de teres esquecido de mim...
Eu sou a tua doença.

Eu odeio reunião
Eu odeio poderes superiores
Eu odeio qualquer um que tenha um programa
A todos os que se aproximam de mim,
Eu desejo morte e sofrimento.

Permita que me apresente eu sou a doença da adicção.
Eu sou traiçoeira, matreira e poderosa.
Sou eu.
Já matei milhões e estou satisfeita com isso.

Eu adoro te apanhar de surpresa
Eu adoro fingir que sou amiga e amante.
Eu te dei conforto não foi?
Não fui eu que estive lá quando estavas sozinho?
Quando quiseste morrer, não me chamaste?

Eu estava lá, eu adoro te magoar
Eu adoro te fazer chorar.
Melhor ainda, eu adoro te tornar tão entorpecido
Que não consigas nem sofrer, nem chorar.

Quando já não puderes sentir coisa alguma
Isso é verdadeiramente gratificante.
É tudo o que te peço é um longo sofrimento
Eu sempre estive lá para ti.
Quando tua vida te corria bem, você me convidou.
Disseste que não merecias coisas boas na tua vida
E eu fui a única que concordou contigo
Juntos, somos capazes de destruir
Todas as coisas boas da tua vida.

As pessoas não me levam a serio.
Levam a serio a trombose, os ataques cardíacos
E até os diabetes levam a sério.
Tolos!

Sem a minha ajuda essas coisas não seriam possíveis
Eu sou uma doença tão odiada e no entanto,
Eu nunca apareço ser convidada.
Tu escolheste ter-me
Tantos escolherem a mim, em vês da realidade e da paz.
Mais do que tu me odeia, eu  odeio.

Todos os que têm um programa de 12 passos.
O vosso programa, as vossas reuniões,
O vosso poder superior.

Todas essas coisas enfraquecem-me
E eu não consigo funcionar do modo
A que estou acostumada.
Agora devo deitar-me aqui quietinha
Tu não me vês, mas eu estou a crescer,
Mais do que antes.

E quando tu apenas existes, eu posso viver
Quando tu vives, eu posso existir.
Mas estou lá quieta.

E até nos encontrarmos outra vez,
Se, nos encontrarmos outra vez
Eu desejo-te morte e sofrimento.

(Desconheço a autoria, mas claro é de alguém de Narcóticos Anônimos) 

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Como anda minha vida, sem drogas...

O meu namorado é ex-namorado, sem sentir muito. Ele fez a opção dele, saiu da clínica após um mês apenas. Voltou e saiu novamente, ou seja, ainda não é a hora dele. Eu não quis participar, nem que seja indiretamente do mundo ativo das drogas e não quero. Já me basta ser dependente química, não vou ser co-dependente, nem levo jeito pra esse papel, enlouqueceria em "dois tempos".
O que eu sentia por ele, esquece, tenho uma habilidade em me desligar das pessoas que até me assusta. A perda do meu marido me deixou assim. Fria talvez, sem apego.
A verdade é que minha noção de amor não inclui mais sofrimento, não esses que são óbvios e que com a maturidade que tenho, sei que posso evitar, sofrimento desnecessário, não vou me matar por quem não merece. Nisso eu cresci.

Completei 3 anos limpa, foi muito bom poder comemorar com os meus amigos de NA essa conquista, 3 anos e sabe não senti, foi muito, muito mais fácil do que eu imaginava. Não estou mais só. E a droga atualmente não é mais o problema.
O problema ainda são os sentimentos, como lidar com tanta contradição dentro de mim.
Como lidar com essa falta de apego a vida
Como lidar com essa total falta de interesse pelas coisas, lugares, ocasiões etc.
Desaprendi o verbo apegar. Desaprendi

Continuo indo às reuniões, não com a mesma freqüência de antes, mas vou, principalmente quando alguma situação negativa me incomoda. Eu me conheço, sei da minha dificuldade de lidar com certas coisas e nesses momento preciso de proteção, preciso me fortalecer e nas reuniões encontro isso.

Está tudo bem, nada de mais acontecendo, na verdade acho tudo isso um grande marasmo. Vivi muitos anos "na adrenalina" e essa calmaria toda, não me parece calma, é um grande tédio.
Mas não posso reclamar, são apenas meus questionamentos internos.
Desisti de trabalhar, tentei e tive crises de tontura, não consegui entender o que eu precisava fazer, abri mão, se um dia puder faço se não vou tentar algo que esteja ao meu alcance. Mas, ai vem o "x" da questão, o que? Se não me interesso por absolutamente nada!!
Bem.. Não vou me preocupar mais com isso, não agora.

Virei tia em tempo integral..rs, meus irmão trabalham e cuido das minhas sobrinhas, duas bebês praticamente, ou seja, me ocupo o dia inteiro, amo minhas meninas. Sempre fui muito maternal (esse apego a família nunca perdi). Mas mesmo assim, não me sinto fazendo nada!. Acredita?!
E esse vazio na alma que me cala, sei que são correntes que arrasto é que ainda não consegui me libertar. Mas ai vem questão financeira, para poder fazer uma terapia e...complica vira um circulo, sem estradas retas, uma coisa que puxa outra e outra, e me canso, como me canso de tanto pensar!!.

Desisto de tentar seguir algo, não adianta, não tenho disciplina, não consigo ser assídua, seja numa religião, seja no grupo, acabo discordando, achando erros, vendo lados diferentes, nunca gostei de pessoas fanáticas, nem com uma visão única, gosto da diversidade de opiniões e seguir somente uma coisa me sinto tolhida, me sinto pouco. Sou muitas, não dá pra ser uma só, ao menos no que penso.

Bem.. voltei pra dizer que sempre estou aqui. Que não esqueço desse espaço, onde joguei minha vida, dos amigos que aqui fiz, agradeço aos novos que estão chegando.

Ah! Tenho algo importante a dizer... tenho recebido muitos emails, respondido e em muitos dos casos correspondidos e penso, meu Deus quando sofrimento por conta da maldita droga, quanto! Mas não deixa de ser minha doação como ser humano, tento com toda a minha boa vontade e experiência nesse mundo, ajudar. Vamos lutar, somos fortes, não estamos sós.

Volto a qualquer momento.
A vida segue... morna... mas, segue.

domingo, 23 de outubro de 2011

Meu namorado recaiu

Meu namorado recaiu, estávamos juntos a 2 anos e ele voltou a usar a uns meses atrás, tentei me afastar porque sei que isso podia me atingir de diversas formas seja diretamente pela vontade de usar droga que desperta em mim, seja indiretamente, o comportamento dele que se altera, e muito estressante brigar contra isso de novo mesmo não sendo na minha pele. Mas existe sentimento entre nós, difícil.
E depois de 2 meses de briga em todos os sentidos, a saída foi uma só: Hoje ele foi para uma clinica, vai ficar no mínimo 6 meses internado, por um lado sei que é o melhor porque ele não estava conseguindo controlar o uso, na verdade é o passo mais certo a ser dado.
Por outro, estou com um vazio, a maldita droga de novo!!
O que vai ser de nós dois, não faço idéia, isso tudo me abalou muito, sei que quando ele sair vai estar limpo de novo, mas quem me garante que não vai haver novamente recaída.
Que Deus o proteja, conheço a luta, sei que não é fácil, mas também acredito na força dele. Só o fato de ele ter aceitado, pedido internação por conta própria, é a admissão do primeiro passo: “Admito que sou impotente perante as drogas” N.A.
Daqui a um mês vou vê-lo.
Desabafando, porque hoje estou triste.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Era esse o meu grito ao mundo.

Devo confessar algo a vocês se eu ainda estivesse usando droga, mesmo que eu tivesse paciência e condições psicológicas de fazer esse blog, eu não iria fazer.
Eu precisaria primeiro resolver as coisas pra depois falar, porque não aceitaria opinião de ninguém. Hoje não ajo mais assim, quando me acontece algo no primeiro instante eu já ligo pra amigos do grupo e “despejo” tudo. Sozinha nunca mais.
Joguei aqui toda minha verdade toda a vida de uma ex-drogada.
Agradecimentos a todos que por aqui estiveram, estão e possam vir. Não sei se pretendo continuar postando algo da minha vida no momento já falei demais e gosto do mistério...
Na verdade o que eu queria gritar eu gritei: o começo, meio e fim do meu envolvimento com as drogas, a euforia dos primeiros anos, o sofrimento e decadência da minha vida e finalmente a admissão de uma doença séria e infelizmente sem cura.
E complicado controlar uma doença movida pelo desejo, pela vontade, continuarei lutando. Não pretendo desistir de mim.

Vou estar sempre por aqui, “me visitando” e visitando aos amigos que fiz nesses meses de angústias escritas, chorei por muitas vezes, mexi com sentimentos ainda não resolvidos, com dores que não tem como resolver, por muitas vezes tive muita vontade de usar drogas quando escrevia, mas não fui atrás delas.
Gostei muito do resultado de ter gritado minhas palavras, esses encontros virtuais, que me fizeram muito bem.
Esse blog só foi possível de continuidade pela atenção que me deram, de coração muito, muito obrigada, se eu pudesse abraçaria um por um!
Tem pessoas especiais aqui!

Deixo esse espaço aberto pra qualquer pergunta, o que quiserem saber sobre drogas respondo, me tornei phd nisso..rs. Rio porque chorar, já chorei demais.

Hoje estou mais serena pelo fato de não mais depender de droga para viver, já passei por muitas situações nesses 2 anos limpa e não usei,  no passado por bem menos já teria usado. Consciente que tenho uma doença que é incurável, progressiva e fatal, mas que pode ser estacionada.
Feliz demais por ter conseguido sair daquele mundo maldito.
Se conselho valesse, eu diria pra quem nunca experimentou: nunca experimente e muito pior do que podem imaginar, aos que usam tomem consciência da doença, mas esse não é meu estilo temos o livre arbítrio, então que essa liberdade de escolha seja usada para o bem, respeito ao corpo e espírito, nascemos sem vicio nenhum, desnecessário ter que sofrer tanto para aprender a valorizar o dom maior que Deus nos deu: a vida.

Ainda não aprendi a me amar por completo, mas não me mato mais.
Ainda não aprendi a amar a vida, mas não a odeio mais.

Termino com algumas palavras e uma oração:
Eu me abraço a vocês e uno meu coração aos seus para que juntos possamos fazer tudo aquilo que sozinha eu não consigo, Só por hoje, funciona, na prática .(N.A.)

“Deus conceda-me serenidade para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar aquelas que posso e sabedoria para reconhecer a diferença”.(N.A.)

Meu sincero carinho a todos que aqui estiveram de uma forma  ou de outra e aos que estão por vir, espero que meu pesadelo não seja o pesadelo de outros.
Muita boa sorte em suas vidas!!

Assino pela forma que me chamaram nesses meses e que agora tenho o direito de ter novamente: Vida!

quinta-feira, 17 de março de 2011

O melhor disso tudo!!

No final das contas há de ter uma recompensa por tanto sofrimento:
A minha doação como ser humano.
Hoje estou em treinamento para visitar clinicas psiquiátricas (como aquela em que estive) poder ir a cadeias, ir a clinicas de desintoxicação e contar a minha história. Na intenção de que minha história de vida possa vir a ajudar alguém, quando essa pessoa voltar à sociedade e conseguir com isso que ela vá à uma sala de Narcóticos Anônimos e continue sem usar drogas. Porque dentro de uma instituição é fácil o difícil está aqui fora no dia a dia.
Já estive em encontros de 3 dias de temáticas, momento fantástico na minha vida, de total espiritualidade.
De uma simplicidade, nada mais que do que ouvir pessoas que estão limpas a múltiplos anos, mas com uma energia que só pode ser a presença de Deus.
Se não me rendi ao programa totalemnte e porque sempre tive uma grande aversão a grupos agregadores (concordo que toda unanimidade é burra..rs) Mas me rendo todos os dias no sentido de ter consciência que sem eles volto às drogas, assim me ajudo e do meu modo tento ajudar ao próximo.
Coordeno as reuniões de um dos grupos toda semana (somos servidores de boa vontade, não ganho financeiramente nada por isso, mas de paz de espírito ganho muito, muito e tenho plena certeza que ajudamos a recuperar doentes assim como eu, muito mais que a sociedade hipócrita).
Receber o recém chegado que vem das ruas, destruído, falido em todos os sentidos (assim como eu um dia cheguei) e observar ele aos poucos voltando, ganhando peso, se emocionando, falando de sua dor e algo que me faz muito bem, poder abraçar esse irmão em espírito e dizer estamos juntos, somos iguais, pega minha força pra curar tua dor, até obter tua própria.
Só consigo fazer isso porque não fica mais me perguntando “porque isso Deus, porque comigo” hoje confio Nele, ponho minha vida nas mãos Dele e vou, literalmente.
Adquiro aos poucos confiança que antes não tinha e fé que antes não via.
Meu despertar pra vida, espiritual, emocional, psicológico está justamente nessa ajuda que graças a Deus hoje posso dar. E fazer o bem literalmente, não tem preço!..rs. Nem que seja eu mesma a pessoa ajudada, poder me ajudar e não me matar mais e bom demais!!
Domingo dia 20 de março completo 2 anos limpa! Livre do uso de drogas. Estou muito feliz, partilho com vocês a alegria de alguém que renasceu pra vida.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Os meus

Minha filha é uma linda garota de 15 anos, faço o que posso por ela, meu maior investimento está nos estudos, deixo de pintar a casa, de comprar moveis que já passaram da hora de trocar, de fazer a festa dela de 15 anos infelizmente não pude! Mas priorizo um colégio particular.
Cumpro com as despesas de casa, sou pai, mãe, homem é mulher dessa família..rs
O dinheiro vem da pensão que meu marido me deixou (digo que ele é o pai, pois mesmo de onde esta sustenta a mim e a nossa filha..rs). Tenho que brincar senão vira pesado!
Nunca o esqueci, mais divã..rs
Meus pais nunca, nunca souberam do meu uso, foi loucura conseguir esconder isso esses anos todos, nem eu mesma sei como consegui, mas o fato é que consegui é hoje agradeço por isso, ainda bem assim não os fiz sofrer. Minha filha também não sabe, não sei se um dia irei contar.


Meus amigos:
Ainda tenho contato com o Fuca, a Suzi a Lua e o Eri, sendo que:
O Fuca se tornou um alcoólatra, trabalha, ainda pensa que bebe socialmente, mas eu vejo que não, será no tempo dele.
A Suzi esta ótima, se formou, tem uma família linda e uma pessoa que bebe socialmente como a maioria, em ocasiões especifica apenas, mas não foi acometida pela doença da adicção.
A Lua é dependente de crack e álcool, converso com ela, tento mostrar como estou bem agora, a coloco em minhas orações e tenho esperança de vê-la limpa de drogas.
O Eri é o mais complicado, é um desses tantos “nóias” que vemos pelas ruas, se arrastando pela noite, atrás de mais uma e mais uma, já fiz de tudo, não só eu como a família dele, mas infelizmente a doença nele ainda está muito latente. Mas não vou desistir, dentro dos meus limites, porque sei melhor que ninguém que o querer dele é o ponto de partida é isso só depende dele.

Perdi muitos amigos, muitos morreram usando drogas ou em conseqüência dela.
A grande maioria da minha turma do passado de roqueiros e motociclistas, ainda bebe e muito! Mas a hipocrisia da sociedade em cima dessa droga é impressionantemente cega. Eu não posso fazer nada, só posso cuidar de mim.

Tenho um novo relacionamento, também ex dependente, assim fica mais fácil entendermos nosso comportamento, sem muitas palavras entendemos um ao outro porque sabemos de nossas dificuldades, que não são mais limitações, mas uma briga pra sermos “normais”.
Nos gostamos acima de nossas dificuldades é o que importa.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Pago o que eu chamo de “Carne dos Adictos”

Difícil saber o que a droga não alterou em mim
Ainda tomo fenobarbital todas as noites, tenho acompanhamento médico anual sempre os mesmos exames, nada novo está tudo bem, nunca mais tive convulsão, peço a Deus nunca mais ter.
Tomo um remédio chamado betaserc, também todas as noites pra controlar minhas tonturas e esse maldito zumbido, quando tenho crises tomo dramim, ameniza, ainda não consegui um controle razoável (na verdade preciso de um otorrino que dê devida atenção a essa minha doença). Sofro demais com ela.
Nunca mais trabalhei, faz 16 anos que não volto ao mercado de trabalho, por causa das drogas e agora em especifico pela síndrome, quando tenho crises fico uns 3 dias meia “vegetal” isso me deixa mal, me sinto inútil e gostaria muito de voltar a trabalhar, muito, me sentir útil em todos os sentidos. Mas qual empregador vai aceitar alguém assim! Não sei!
Não sei se porque no passado fugi muito da realidade, hoje tenho dificuldade em ter sentimentos mais intensos, de olhar pra algo e dizer: nossa gostei muito disso!. Gosto mas nem tanto. Quero, mas nem tanto. Aceito mas nem tanto..rs .Relacionamentos sérios está incluído aqui. A idéia de ficar sozinha não me assusta em nada.

Para não esquecer compromissos tenho que anotar, falo pra minha irmã, minha filha, a família inteira se preciso for, tenho dificuldades de memorizar. Aprendi muita coisa boa, li muitos livros, mas nem me perguntem nomes, sou incapaz de lembrar. Sempre digo que não tenho memória, mas sim uma vaga lembrança..rs
No meu perfil quando disse que “não estou procurando criticas, conselhos ou julgamentos, sou conhecedora da causa que escrevo, não há teoria.” Agora posso explicar isso: passei tantos anos me sabotando, me menosprezando, me inferiorizando,
que qualquer forma de critica não me era bem vinda, porque consciente ou não eu mesma já as fazia. Ainda não as aceito, quando se referem a essa parte da minha história já foi escrita, já esta feita, não há como mudar e ponto. Mas aceito de bom grato, sugestões no momento, no mundo que agora vivo na verdade preciso de ajuda e aceito sugestões construtivas.
Tenho dificuldades em lidar com meus sentimentos, entre o que quero é o eu realmente posso fazer, há muitos lugares que estão no meu “evite”.
Porque tenho uma natureza rebelde, aventureira e um gosto pelo que é proibido.
Não sou diferente de muitos, mas também não sou igual a todos. Sou inteligente, um tanto sequelada, mas sou..rs. Mas acredito que meu aprendizado maior está na sabedoria de vida.
Tenho dificuldades em tomar atitudes, o comodismo me parece mais fácil e principalmente em ter disciplina. Mas sei que esse comportamento é enganoso e algo que estou trabalhando.
Ninguém vive uma vida dessas que vivi é sai ileso, não há como mas, o tempo dirá o que será meu melhor, porque agora tento ao menos fazer o melhor, o bem, o simples.
E hoje tenho discernimento para isso.
Cansei de transparecer falsa impressão a meu respeito, sobre minha vida e os outros acreditarem.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Meu comportamento compulsivo e obsessivo

No decorrer desses anos todos de uso, houve momentos que eu achava que preenchia totalmente as minhas compulsões, só para descobrir no momento seguinte que NÃO havia maneira de me satisfazer, não há; quanto mais tenho mais quero (falo da doença da adicção). Parte do meu padrão era que nunca podia ou conseguia satisfação suficiente.
Tudo isso pra preencher um enorme vazio, acima de tudo espiritual, não vou discutir religião, mas eu, esse ser humano aqui, preciso de fé, preciso crer que um Deus olha por mim, e que Ele só Ele esta preenchendo esse vazio que existia dentro de mim, esse vazio que estava plantado na minha alma. Não me importo com religião, não faço questão de instituições (apesar de ser católica). Gosto da fé, da crença, também não somente ela porque não gosto de fanatismo. No meu ver tanto a ciência quanto a religião me preenchem, cada uma em momentos distintos.
Também não vou discutir filosofia, não tenho paciência pra tanto, esse porque do porque me cansa absurdamente..rs. Isso é explicável, na minha vida passei anos e anos procurando respostas, fazendo perguntas (sei que estava no lugar errado), mas mesmo assim, me cansei de tanto pensar e ler e procurar resposta em lugares errados e principalmente nas minhas atitudes erradas, por isso me canso psicologicamente, de fato.
Pode parecer estranho, mas me sinto adolescente, apesar de toda minha vivência, de tanta dor, não amadureci como uma pessoa normal, nenhum adicto é maduro, não passamos por esse processo que todos passam, ficamos anestesiados no tempo, nós anestesiamos tanto nossas vidas, que paramos na fase da rebeldia. Não sei se isso pode ser justificativa pra alguma coisa mas é fato.

Como me controlo...me contrariando: tenho vontade de usar droga e alimentar minhas compulsões, mas são bem poucas hoje em dia e quando elas aparecem não dou confiança, mudo o foco procuro falar com alguém que entenda meu momento, evito falar de nomes de drogas, de lembrar as loucuras do passado, de recordar sensações e assim vou seguindo, nada se compara ao bem estar de estar limpo, usar droga dá muito trabalho e mais fácil ficar livre, sair da cadeia que por tantos anos fiquei  e admitir que do meu jeito não da mais.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Hoje faz exatamente 1 ano 10 meses e 14 dias que não uso drogas.

Não foi fácil recomeçar nada fácil e ninguém disse que seria, tive crises de abstinência de enlouquecer, mas não fui atrás de droga agora eu não estou mais sozinha, conheci pessoas com o mesmo problema pessoas que não me julgariam por nada porque viveram a mesma realidade que a minha, pessoas que não iriam me dizer que: usa quem quer, que segue esse caminho por falta de caráter, porque é fraca, que escolhemos isso. Se fosse escolha não seria uma doença, se fosse escolha o mundo não estaria como está com adictos aos montes perdidos a cada esquina. A primeira vez que se usa pode ser escolha sim ( por curiosidade, influência) e alguns não se incomodam, experimentam e saem ilesos independente de família, situação financeira, etc. Outros passam pela mesma experiência e são tomados como foi meu caso e chegam onde cheguei, porque ficam doentes. É uma mórbida paixão a primeira vista.

Estou entre os meus iguais me tratam como eu sou, uma pessoa que possui uma doença (é muito importante admitir isso) uma doença compulsiva, chamada adicção que é incurável, progressiva e fatal.
Não sou uma fraca que entrou nessa porque quis ou vou usar muita droga vou ter uma convulsão, overdose , quase perder a sanidade parar numa psiquiatria, vou ficar com seqüelas, só ai eu vou parar”  porque foi isso que a droga me deu de presente.
Eu dizia que eu nunca me viciaria comigo não! Eu tenho controle sobre as dorgas,quando quiser eu paro!  Mentira. A droga é muito pior do que qualquer um pode imaginar, principalmente para nós usuários.
Se nunca parei antes foi porque não conseguia, não enxergava, não admitia o vício, fui tomada por uma cegueira que não consigo explicar.

Fiz o que me foi sugerido, segui o exemplo de quem é vencedor dentro do grupo, às vezes tive crise na sala durante a reunião, em casa, achava que não iria agüentar, mas passava alguns minutos e passava.
E os dias foram se passando e eu continuo limpa, porque meu desejo de ficar limpa prevaleceu. E eu tive apoio de iguais, isso foi importantíssimo!
Faço minha contagem de tempo pq as vezes perco toalmente a noção dele quando sinto vontade de usar e quando acho que um dia é muito, penso que 5 minutos são possiveis e mais 5 minutos e assim vai.
Tenho muito medo de voltar ao mundo das drogas, mas estou com planos novos, vida nova em todos os sentidos. Sem muita atitude ainda, mas tenho sonhos novamente.
Se começo a ficar muito só pensando muito ligo pra alguém, pois, sou a minha pior companhia e sei que meu isolamento é o núcleo da doença. Assim como a euforia, equilibrio é a palavra necessária. E esse só consigo me percebendo, tomando atitudes, me contrariando, fazendo o oposto do que sempre fiz.
So por hoje:
Concentro meus pensamentos na minha recuperação.
Acredito que alguém crê em mim e quer me ajudar na minha recuperação.
Tenho um programa a ser seguido e tento fazer da melhor forma possível.
Não sentirei medo, euforia ou raiva, penso nas pessoas que comigo dividem essa batalha e encontro essa nova maneira de viver.
Enquanto eu seguir o que me é sugerido, não terei nada a temer.
Entrego minha vida nas mãos de um Poder Superior.
Mas, isso tudo e muito mais e só por hoje..rs

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Desintoxicação de sentimentos...pensamentos.

Hoje percebo que parar com as drogas é difícil sim (porque vontade de usar drogas com menor ou maior intensidade é algo que sempre vai existir dentro de mim) tem que ter muito querer, ser forte, mas não é impossível (desde que não estejamos sozinhos e queiramos de verdade).
O mais difícil é mudar os sentimentos, pensamentos, e essa mudança é imprescindível, porque senão volto ao uso, isso é certo.
Essa parte pra mim é a mais difícil.
Deixar de lado, exemplos: manipulação, auto-piedade, ódio,  isolamento, euforia, raiva,  medo e aceitar a humildade, boa vontade, mente aberta, serenidade, ação, auto-aceitação, ação produtiva, fé, socialização etc. Difícil lidar com novos sentimentos e deixar de lado as máscaras é uma vida toda a ser mudada.

Admitir que sou impotente perante as drogas, que eu não tenho controle sobre elas, isso eu admito com facilidade, sou impotente sim, ela quem manda, como não quero ser mais mandada, fico longe dela. Evito lugares, pessoas e hábitos.
Só por hoje, apesar de ser “lugar comum” essa frase é fundamental na minha vida eu não consigo pensar que eu nunca mais vou usar droga, isso me apavora tanto que dá vontade de usar, mas só por hoje é possível, ontem passou, amanha posso fazer qualquer outro plano pra minha vida, desde que não inclua drogas.
A idéia de “nunca mais” ou “pra sempre” é algo descartado do meu vocabulário.
Eu usava drogas para esconder os meus sentimentos e dizia pra mim eu consigo controlar, na tentativa de fazer qualquer coisa para não encarar a vida como ela é. Fuga da realidade. Com isso a doença só progredia. Ninguém entendia, médico nenhum entendeu, eles queriam me ajudar com medicamentos (mais droga). As pouquíssimas pessoas que sabiam não entendiam afinal eu parecia ser forte, porque não conseguia parar? Ou será que ela usa droga? Ah, ela não!
Meus sentimentos, pensamentos é que necessitavam de mudanças. Eu, mais cega do que todos, me afastando do mundo, vegetando e gritando em silêncio.
Não existe adicto social, culpava tudo ao meu redor pela minha decadência, era a depressão, o pânico, a morte do meu marido, o mundo, a vida, Deus. Afinal precisava de desculpas pra continuar usando.
Porque estou dizendo isso, porque qualquer forma de sucesso era estranha e assustadora, quanto mais essa auto–aversão crescia, mais eu precisava usar para fugir e fugir...fugir de responsabilidade, de disciplina: tenho dificuldade pra lidar com isso. Agora é hora de voltar à realidade, experimento uma variedade de sentimentos que estavam anestesiados esses anos todos, muitos me assustam não os conhecia, não sei como lidar, peço ajuda, peço orientação. Não tenho vergonha em admitir fraquezas não consigo e pronto, ou eu consigo sim, não tenho esse orgulho desnecessário. É uma grande dádiva me sentir humana novamente e não um bicho acuado com medo e ódio de tudo.
Me acho até bonita hoje..rs, minha auto estima volta, ou melhor, começo a conhecer ela agora . Respeito o meu corpo, aceito que tenho que mudar e mudo aos poucos dentro do que vou compreendendo, essa aceitação é o que me leva a recuperação. 
Não sou responsável pela minha doença, mas sou responsável pela minha recuperação.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Desintoxicação de comportamento

Uma das características do adicto é o vicio de comportamento e eu tinha muitos a serem mudados (ainda tenho, vou me percebendo e aos poucos mudando).
Mas a principio:
Voltar a acredita em Deus, ter fé. Acreditar que um Poder Superior maior que eu, maior que as drogas, está ao meu lado e ele é bom ( porque tenho uma visão de um Deus que pune, castiga, onde tudo é pecado, aos poucos volto a ver que Deus é amor. E amor é bom).

Não foi fácil reaprender a viver, a fazer coisas simples:
Reaprender a andar na rua:
Quando eu sai limpa pela rua, não para ir atrás de droga, eu não conseguia andar direito, meu corpo parecia travado, eu havia esquecido como eram meus passos, era difícil o simples ato de andar lúcida, sem a tensão de usar droga ou de estar drogada. Eu havia esquecido como é o horizonte. Um outro mundo existia!
Reaprender a conversar:
Conversar com as pessoas, mesmo que fosse do comércio, ou vizinhos, olhar nos olhos das pessoas e eu mesma ouvir minha voz e perceber que sou capaz de entender as pessoas de sentir de dar opiniões, sugestões e pensar porque mesmo que eu tinha medo de seres humanos..rs e poder rir. Não imaginam há quando tempo eu não ria. Rir de verdade, não por aparência. Rir sem ter crise de tosse, porque o pulmão não agüentava mais.
Parar de tremer:
Não ter que esconder as mãos porque eu não parava de tremer, não tremo mais.
Reaprender a comer:
Me alimentar; a alimentação era algo complicado pra mim, quantas vezes eu estava com fome e eu começava comer e vinha a vontade de usar, esquecia a comida e ia usar, agora não, eu sinto fome, eu como por prazer, não porque “há me lembrei que não comi nada esses dias”, não peso mais 43, 46 quilos, peso 51 (sendo que tenho 1,52 de altura, esses 2 cm são importantes..rs).
O mais importante dormir e acordar:
A primeira noite depois dos 3 primeiros meses que pra mim foram os mais difíceis, quando eu consegui dormir, sem ter que usar droga pra isso, e acordar como qualquer ser humano acorda, dessa forma normal abrindo os olhos e tudo o mais..rs e não pelo meu corpo me acordando pedindo droga. Isso foi maravilhoso!
Tudo isso e outros detalhes mais, podem parecer pouco, mas pra mim não é.

E isso que a droga fez. Me tornou um ser a parte, alguém que tinha esquecido como é bom as coisas simples, como é prazeroso poder viver as pequenas coisas.
A droga só não destruiu totalmente meus sentimentos, porque sempre fui muito sensível. Mas muitos adictos não sentem nada e cometem violência consigo mesmo e com o próximo.
Afinal esquecemos quem somos ou muitas vezes nem sabemos.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Desintoxicação física

Os primeiros meses não foram nada fáceis. Tem que ter muita força de vontade, muita!
Porque acordar com aquela maldita dor na barriga e sentir essa dor ir espalhando pelo corpo todo, numa mistura de câimbra é cólica, a ponto de me dobrar na cama, e só conseguir sair dela, me arrastando pelo chão, ajoelhada, parecendo bicho, chorando, pra ir ao banheiro, com diarréia e vômito e ficar assim por minutos que parecem uma eternidade, até finalmente ir sentindo aos poucos o corpo relaxando, é um outro inferno!
Isso se repetiu por muitos dias seguidos. Não é fácil!
Fiquei com gripe por 3 meses consecutivos, meu organismo estava com a imunidade no mínimo louca, porque é impressionante como fiquei doente assim que parei de usar droga. E eu sabia que era só fumar um baseado, ou cheirar que tudo isso sumiria! Da vontade, muita vontade! Mas não, não quero, não quero. Chorava, rezava e pedia ajuda.
Ajuda! A forma de ajuda que encontrei foi ligar pra pessoas que estavam limpas e elas conversarem comigo, falando como elas tinham feito pra superar esses momentos, lendo as literaturas especifica pra esses momentos, conversar com quantas pessoas do grupo fosse possível conversar. E ir a reuniões de preferência todos os dias. E rezar
É tudo sugerido dentro de um ambiente como esse. Quem criou sabia muito bem como somos, se mandar não fazemos, mas aceitamos sugestões. Não sou uma das pessoas mais fáceis de lidar (por tudo que leram aqui) em contrapartida, admito todas as minhas fraquezas sem o menor medo ou orgulho e preciso de ajuda, sozinha, não consigo. E não tenho medo da verdade.
Eu aceitei, se era assim que funcionava pra eles, então seria pra mim também, eu ia a reuniões, passava mal durante a reunião, todos entendiam, todos já haviam passado pela mesma coisa, chorava, acalmava e saia de lá mais aliviada, acreditando que um Poder Maior que eu pudesse me devolver a vida que há muitos anos não tinha mais.

NOTA: muitos que começam esse processo de desintoxicação e se firmam nesse propósito precisam de calmantes pra tomar pra poder suportar esses sintomas. Outros não suportam e voltam ao uso.
Eu optei por não tomar calmantes. Eu não voltei. Consegui, Viva eu sou forte!!..rs.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Eu admito: sou impotente perante as drogas.

Não adiantava mais tentar lutar eu havia perdido pras drogas... há muitos anos mas, agora por não suportar mais me sentir um lixo em todos os sentidos e precisar admitir isso, me olhar e dizer, acabou, vc perdeu, se tornou tudo aquilo que nunca imaginou que seria, que mulher é vc, quem é vc?, uma fraca que foge da vida o tempo todo? Chega de fugir, chega de achar que isso é o único meio liberdade. Era hora de reconhecer que o que tenho é mais grave É UMA DOENÇA. Estava na hora de encarar minha realidade, de olhar no espelho. Com muito medo do desconhecido, mas queria ao menos tentar, pela minha filha sim, mas por mim acima de tudo e todos.

EU QUIS era a minha hora, O MEU QUERER, eu não agüentava mais a vida que eu tinha, eu não agüentava mais fingir ser uma coisa e ser outra, eu não agüentava mais chorar sozinha. Nesse momento esqueci o “amor” pela droga e resolvi pensar em mim, e não adianta família, amigos, amores, não há sentimento vindo dos outros que nos sensibilize o suficiente para podermos parar, desde que nos mesmos não queiramos parar, não há (o sentimento pela droga é maior, a vontade de usar mais uma e só mais uma é maior).
Mas nesse momento meu querer era literalmente meu poder.
Não me sentia a vontade de ir a um lugar desses, (alguém havia me dito que ir a NA era “fim de carreira”, foi o meu recomeço de vida!) fui, eu não tinha outra opção e além do mais não tinha mais nada a perder, mesmo.

Quando cheguei naquela sala, aos poucos fui ouvindo, sentindo (conjugo o verbo sentir) o que aquelas pessoas falavam era como se fosse de mim. Vidas diferentes, mesmo sofrimento. Caminhos menos ou mais tristes, mas a mesma dificuldade e estavam limpos há meses, anos, como conseguiam? Apenas indo às reuniões?!
Me sugeriram não usar droga só por hoje, ir no máximo de reuniões possíveis, foi me dado o número de telefone de todos que estavam lá. O programa é simples, mas é milagroso!
Eu falei um pouco da minha historia e ninguém se espantou ninguém me julgou ninguém me criticou ao contrário recebi muitos abraços (como eu estava precisando disso) e palavras como: você não está mais sozinha, se quiser parar de usar drogas, seu problema agora é nosso também.
No final de 2 horas eu chamei uma das pessoas que estavam lá, falei que estava com droga, disse que queria jogar fora, pedi pra essa pessoa ir comigo ao banheiro, abri as embalagens que estavam comigo e joguei no vaso (lugar certo) algumas gramas que ainda tinha comigo e ali ficou o ultimo dinheiro que gastei com droga, ali ficou uma vida toda de uma drogada, ali ficou minha insanidade.
Dei o meu primeiro passo!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Eu não agüento mais!! Tentei sozinha e descobri que sozinha não consigo.

Pela primeira vez de verdade, admiti por completo que eram as drogas, que eu não podia mais usar drogas, me doía a idéia de não poder usar mais. Mas ou era isso ou psiquiatria. Eu tinha que parar e nos últimos 6 meses de uso, eu tentei parar sozinha ficava 3, 10, 15 dias sem usar e recaia. Mas recaia chorando, porque já não tinha mais a mesma “graça” que teve um dia, a maconha se no começo era algo que me deixava alegre, calma, rindo a toa e com fome. No ponto que eu cheguei, já não sentia mais nada disso, fumava, ficava agitada, séria, coração acelerado, triste, irritada, não tinha mais a famosa ”larica” (fome), ao contrário não queria comer, nem os olhos ficavam mais vermelhos é o outro lado da moeda com a maconha (é só observar quem fuma por muitos anos).
Boa parte dos usuários de maconha fica esquizofrênica e eu sabia que se continuasse ia ficar. Minhas atitudes e idéias não erma mais de uma pessoa normal.
No começo de 2008 eu ainda fumava maconha mas, era um pesadelo com as drogas sem as drogas, minha vida tinha se tornado algo que eu não sabia como era pior ou melhor, tanto fazia era tudo uma merda mesmo.
Mesmo depois de convulsão, overdose, psiquiatria eu ainda usava droga!
Eu precisava parar, não dava mais e nesse momento eu queria muito, muito ficar internada numa clínica pra poder me desintoxicar, mas eu não podia afinal meus pais e minha filha não sabiam, não dava, é eu também não teria dinheiro pra isso, inviável.
Continuei na tentativa de parar sozinha, parava, recaia, sofria, parava, recaia.
Chega!! Preciso de ajuda.
Era hora de lembrar que Deus existe de rezar e pedir uma luz, pelo amor a minha vida.
Não agüentava mais usar droga. Não agüentava mais a minha vida, não agüentava mais nada.
Ainda não admitia que queria, mas sabia que precisava! 
No dia 19 de março de 2008, eu havia como sempre fumado desde cedo, quando foi lá pelas 3 da tarde, usei pela ultima vez, às cinco horas eu queria de novo. Mas não! Eu sabia como funcionava, era sempre o mesmo ciclo vicioso, um circulo restrito e insano, onde eu usava droga na esperança de sentir algo diferente, eu usava buscando aquela primeira sensação de prazer e ela nunca vinha, repetir o mesmo gesto buscando resposta diferente: insanidade.
Chamei minha irmã mais uma vez e disse eu vou ligar pra algum lugar, pro Alcoólatras Anônimos quem sabe eles não me ajudam? Peguei as páginas amarelas, procurei o telefone, liguei, expliquei meu problema eles me disseram que seu quisesse ir lá, seria bem recebida, mas já que meu problema não era com álcool ele me passou o telefone do Narcóticos Anônimos. Liguei falei com uma mulher, contei meu desespero ela me perguntou onde morava eu disse, ela falou ai perto da tua casa no dia de hoje tem uma reunião, você não quer ir? Quero sim, mas será que eles podem me ajudar? Ela me disse o miníno que pode acontecer e você ficar lá por duas horas sem usar, o restante é com você.  Ta bom era comigo.
Eu vi uma esperança nessa ligação, fiquei ansiosa, mas dessa vez de esperança. Eram cinco horas da tarde, pensei não uso mais nada hoje, a reunião começa às 8 horas, era tempo suficiente pra eu chegar lá sem estar drogada, lúcida ao menos.
Peguei o restante das drogas que tinha em casa, coloquei a maconha num saco de geladinho, um pouco de cocaína que tinha no outro e sai de casa 7 horas com essas drogas escondida na roupa, sozinha, peguei ônibus e fui pensando meu Deus, tomara que esse lugar me ajude, porque senão, não sei o que fazer. E um outro pensamento se for algo bom, jogo essas drogas , se não for, saio usando de lá mesmo.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Instituição Psiquiátrica: Meu fim do poço!!

Quanto mais eu me via perdida em sentimentos, mais raiva eu ia criando dentro de mim, eu comecei a ficar com medo dos meus atos, comecei a ficar com medo de cometer alguma violência, por exemplo. Tentava sozinha encontrar algum meio de sair de onde eu havia chegado. Eu não sabia mais como havia chegado até aqui, mas queria mudar, queria sair (de preferência fumando maconha). Mas comecei a perceber de verdade que isso não era possível quando tive minha primeira crise nervosa. Eu vivia irritada, brigando por tudo, brigava com os meus e comigo mesma, eu estava ficando totalmente insana.
Num desses dias tive uma discussão com meu pai, nada demais coisa de família, mais eu senti um ódio tão grande, que não me reconheci comecei a xingar meu pai (imagina, coisa que jamais fiz na minha vida !) e se não tivessem me segurado eu seria capaz de bater no meu pai ( que absurdo isso,  que Deus me perdoe ). Nesse momento eu falei pra minha irmã eu não estou bem, eu preciso de ajuda, eu estou completamente doente; não sabia se era físico, emocional, psicológico, espiritual só sabia que tinha perdido meu controle.
Fui fazer terapia mais uma vez, dolorida, sofrendo e dessa vez falei do meu uso de droga, não a verdade por completo, mas admiti pra outro ser humano (não adicto) que era usuária de drogas, ela me ajudou, foi o começo. Mas eu ainda acreditava que eu era capaz de deixar de usar droga sozinha.
Eu vivia perdida em mim mesma, só eu e mais eu. Cheguei ao ponto de não me agüentar mais, cansada de tanto pensar e pensar e falar sozinha. Criando neuroses, teve uma delas em especifico que me perturbou demais (ainda não gosto de lembrar, na verdade as vezes ainda me perturba, coisa pra divã ), eu comecei a sentir nojo de certas coisas, eu falava pra minha irmã e ela não via lógica, ela tentava me dizer que não tinha nada demais, mas aquela cena ficava na minha cabeça eu não conseguia parar de pensar por mais que tentasse, ficava dias naquela confusão, com aquela imagem e idéia fixa! Pedindo a Deus que tirasse aquele pensamento da minha cabeça, mas não conseguia. Chorava sentia agonia, verdadeiro asco!
Num desses momentos de pensamento fixo, fiquei tão mal, chorando, nervosa, com medo e ódio dessas idéias fixas, que estava de novo numa psiquiatra. Contei ao médico o que estava sentindo, a primeira coisa que fiz quando cheguei no consultório, foi entortar todos os clipes que estavam na mesa . Eu falei “brincando”, doutor to ficando neurótica com esse pensamento fixo, ele me disse: sim, são sintomas de neurose. Não queria ouvir isso, mas era verdade.
A droga havia me destruído. Estava tirando minha sanidade.
Tive mais duas crises de TAG (transtorno de ansiedade generalizado).
Na ultima fui parar de novo no hospital psiquiátrico, me sedaram e dessa vez iam me deixar internada, quando eu acordei e vi aquelas pessoas a minha volta e percebi onde estava, aquela cena que eu via em filmes e que eu ia ficar ali me senti num pesadelo. Gritei a enfermeira e me tira daqui, pelo amor de Deus me tira daqui (e ao mesmo tempo pensava não posso gritar, não posso perder o controle senão eles não me deixam sair mesmo, se controla, se controla).
Implorei que chamassem minha irmã, eu chorava feito criança, falava eu não estou louca eu estou doente, mas louca não, eu não vou ficar aqui!! Falei pra minha irmã se responsabiliza por mim, assina qualquer coisa, mas me tira daqui. Ela me tirou sai no mesmo dia.
Voltei pra casa cheia de “tarja preta”, tomei esses remédios por um mês, falei pro medico não vou ficar tomando isso eu sou adicta eu vou usar isso pro meu mal e não quis me recusei a continuar me entupindo de mais drogas.
Depois desse momento, não dava mais, não dava.
Esse foi meu fundo de poço: instituição psiquiátrica (hospício) esse foi meu inferno completo, ficar louca não. Não mesmo!

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Vida vazia, angústia!

Nesses últimos quatro anos de uso de drogas minha vida pode ser resumida em: Angústia: eu, esse ser humano aqui, estava cada vez mais perdida. Não conseguia trabalhar mais, pois além do consumo de droga eu vivia com tonturas, que não eram as tonturas da reação das drogas. Descobri que estava com Sindrome de Menier (uma doença que tem origem no labirinto, que causa muita tontura, enjôo, perda de noção de espaço, zumbido no ouvido e gradativa queda de audição) e com um monte de doenças psicossomáticas acumuladas e mal curadas no decorrer desses anos todos e outras chegando.
Eu não saia mais, só em caso de extrema necessidade, fosse pra levar minha filha ao médico, ir a reunião de escola ou ir ao banco pagar as contas uma vez por mês, ficava apavorada de imaginar que teria que ir pra rua, encontrar pessoas não estar drogada ou até mesmo estar drogada, isso me apavorava, tinha taquicardia, dias antes só em pensar. Veio a fobia social.
Já era previsto, afinal sempre fui a: “eu posso, eu resolvo, eu me viro, eu sei” a falsa auto suficiente, se eu disser que fui fraca seria mentira, mas não era aquela imagem que eu passava (é o pior as pessoas acreditavam que eu era forte) estava sendo hipócrita, como eles não percebiam! Que raiva. As pessoas só enxergam a si mesmas e com pensamentos assim ia me afastando, eu queria ajuda, necessitava, mas não via ninguém como nunca vi que pudesse me ajudar efetivamente, a principio raiva da humanidade, desprezo, medo e fobia. Não queria mais saber de ninguém, dane-se eu mesma me viro! Afinal já passei por tanta coisa sozinha.
Eu estava isolada é uma das coisas que fazemos quando chega ao ponto que eu cheguei: isolamento.
Tinha momentos que eu ficava desesperada dentro de casa eu ia andar, andava sozinha pelo bairro, andava até cansar, não falava com ninguém chegava em casa falava sozinha, falava até cansar, xingava, brigava, Brigava com Deus; eu mesma dizia eu mesma respondia e eu claro sempre tinha razão, comecei a sentir os primeiros sinais de insanidade.
Chorava, xingava, blasfemava, reclamava e se alguém, fosse da minha família ou dos pouquíssimos amigos que me restaram, aparecessem, eu dizia que estava “tudo bem, eu to bem”, mentira eu estava muito triste, um lixo de ser humano.
Bem se eu havia escapado da morte, de prisão porque nunca quis me relacionar com o mundo do crime. Da terceira que era uma instituição psiquiátrica eu estava bem próxima, e cá entre nós se tem algo que sempre me apavorou é a loucura (não a loucura das drogas, convenhamos), não importa em qual de suas tantas formas, mas a idéia de ficar louca me apavorava, muito!
Muitas vezes no decorrer desses anos todo eu tive medo de uma dose a mais me tirar a sanidade, eu tive medo de enlouquecer e nesse momento da minha vida era algo que começava a ficar palpável.
Nós 2 últimos anos de uso, eu comecei pela primeira vez a enxergar que poderia ser a droga que estava me deixando assim, acreditem, somente depois de 24 anos de sofrimento, foi que eu comecei a admitir a possibilidade disso. 
Porque a minha vida era de uma pobreza de espírito sem tamanho, um vazio, um tédio constante, vivia tendo crises de tontura (menier), vivia a base de remédios.
Mas nunca deixei de usar droga. Acordava minha filha para ir à escola pela manha (como ainda faço), esperava ela sair e fumava, dormia mais um pouco, “meu corpo me acordava” eu usava de novo e assim se resumia meus dias, meses, anos, minha vida.
Relacionamentos... tive, afinal sou compulsiva não somente por drogas, mas quando se vive numa vida dessas, não se procura alguém que “presta”, não há sentimento, procura os iguais, e só para usar mesmo! Auto-estima abaixo do pé. Nenhum valor sentimental e o mais triste nenhum sonho. Eu não tinha mais sonhos, não esperava mais nada. Eu não me olhava mais no espelho.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Mais uma vez droga! Substituição foi naquele momento a única saída.

Não é fácil tirar uma droga química do organismo, na verdade droga nenhuma. Ainda mais sozinha!
Eu não podia contar com a ajuda de ninguém da minha família, a não ser minha irmã, mas ela não sabia como lidar com a situação, nem eu sabia. A única coisa que eu sabia era que precisava parar de usar cocaína, da mesma forma que há muitos atrás havia parado com a droga alcoólica e nunca mais bebi nada que contenha álcool, eu precisava agora parar e teria que ser sozinha.
Como um adicto sozinho é sempre má companhia. Fiz a única coisa que estava ao meu alcance a que me pareceu menos mal no momento: substituir uma droga pela outra. A cocaína que era mais forte pela maconha algo mais leve.
Uma semana após a overdose estava em casa e louca, cega de vontade de usar, não conseguia pensar em outra coisa. Meu corpo não deixava, minha cabeça não deixava.

Acordei com crise de abstinência é algo assim: eu era literalmente acordada pelo meu corpo pedindo droga, uma dor em volta do umbigo, que é uma mistura de cólica, dor e ansiedade, é algo estranho, a adrenalina fica acelerada, suor, secura na garganta e ao mesmo tempo boca salivando e não da pra pensar em outra coisa, é como uma contração de minutos em minutos, todos os sintomas de novo e de novo da abstinência e eu precisava de droga ou sentia que morreria no instante seguinte, de tanto tremer!!
Cocaína não dava mais, fiquei mais uma vez com medo. Sai de casa cedo, fui na primeira biqueira (ponto de venda de drogas) que encontrei  e comprei uma paranga (nome dado a porção de maconha), cheguei em casa tremendo me tranquei no banheiro, preparei e fumei, alivio! A dor sumia, o corpo todo agradecia, eu relaxava finalmente. Três horas depois a mesma crise de novo, porque a droga que eu usava era mais forte, e eu fumava de novo. No primeiro mês eu tive abstinência constante. Fumei em torno de umas 6, 8 vezes por dia, até meu organismo se acostumar com a nova droga que se tornou minha amiga inseparável, sempre foi, foi a primeira e também seria a última.
Foi dessa forma insana que eu consegui parar com a cocaína, sozinha. Mas não com as drogas.
Nesse momento eu até me senti melhor porque a reação da maconha ao contrário da cocaína e mais calma, dá sono, fome e nos dois anos seguintes eu fumei sem maiores problemas, com as drogas.
Mas eu, meu corpo, sentimentos e pensamentos continuávamos num conflito só.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Overdose

O meu corpo começou a cansar (o emocional já estava cansado há tempos) e quanto mais eu usava mais eu queria, não tem fim e algo doente, doente! Depois de ter usado mais um dia todo, como era de costume. A noite eu não estava bem a reação da droga estava estranha, eu peguei outra em outro lugar (porque quando eu passava mal achava que era a droga que estava misturada que não era “boa”, não porque não tinha comido quase nada o dia inteiro, ou nem lembrava se tinha tomado algum liquido, ficava tão cega que não conseguia perceber que não importava pureza ou não. É ela quem faz mal!! Mas não enxergava, por Deus não enxergava).
Voltei pra casa e usei dessa outra, me senti “melhor”, mas, não deu cinco minutos e eu comecei a sentir muita tontura, falta de ar e meu coração parecia que ia sair do peito, liguei pra minha irmã. Não to bem, fica comigo, comecei a andar pela casa, tudo rodava, lavei o rosto, tentei beber água fiquei mais sufocada ainda, comecei a perder os sentidos, ela chamou meu irmão e me levaram pro hospital.
Cheguei lá suando e tremendo, sentindo dores horríveis na barriga, pontadas na altura do peito quase sem respirar e perdendo a consciência.
O medico aos gritos comigo: que droga você tomou, o que você tomou menina? Cocaína sou viciada. ele dizia é overdose. E eu não parava de falar: não fala pros meus pais, não fala eles não podem saber; no carro eu falei com meus irmãos, conversa com os médicos, não deixem eles contarem pro pai e pra mãe ... cuida da nenê.
Só por Deus eu não tive uma outra convulsão, não tive parada cardíaca, fui atendida a tempo, fiquei até o dia seguinte.
Foi horrível é uma experiência horrível, é a verdadeira cara das drogas, esse é um dos fundos de poço, esse é um dos finais: a morte.
No dia seguinte quando recobrei a consciência e vi onde estava, onde tinha chegado, pensei que meu propósito em morrer quase tinha sido alcançado. Senti nesse momento uma saudade tão grande da minha filha e pensei meu Deus não posso deixar minha filha sozinha nesse mundo, ela já não tem o pai se ficar sem a mãe como ver ser o que vai ser dela. 
Meus pais não souberam, acharam que eu tinha tido uma convulsão, misturado com todo o quadro de depressão etc,  e ficou assim.

Eu estava com 38 anos. Totalmente perdida na minha vida. Me sentindo absolutamente só.
Sabia que precisava parar de usar cocaína, chorei muito. Mas como? O que eu iria fazer pra parar? O que?

domingo, 21 de novembro de 2010

O outro lado da moeda na reação das drogas

Seis anos após a morte do meu marido, seis anos de vida apática, de mal estar, tonturas, uso abusivo e diário de cocaína e às vezes um baseado pra poder me acalmar.
Se quando eu cheirei ou injetei cocaína pela primeira vez foi “a melhor sensação do mundo”, agora já não era mais. Agora as drogas me mostravam sua verdadeira face.
A reação da cocaína e dividida em três etapas:
Primeira:
- Na primeira meia hora eu ainda conseguia ter energia, falar nem que fosse com as paredes, fazer as coisas, achar que tudo estava bem ( no começo esse bem estar é  mais duradouro).
Segunda:
_O momento do desespero, onde a reação “boa” está acabando e eu queria, precisava cegamente de mais uma dose, se não tivesse ou já não agüentasse mais usar, era o pior momento: eu queria relaxar, mas não conseguia, eu estava muitas vezes cansada, exausta, mas meus olhos não fechavam, eu tentava deitar e “fritava” de um lado pro outro da cama. O coração disparado, a adrenalina a mil por hora, tomava banho, bebia água, tentava comer algo (coisas que esquecia completamente quanto estava chapada), pra tentar me acalmar (no começo isso não existe, se existe é muito leve).
Terceira:
_ Quando conseguia relaxar, vinha a depressão, eu sentia ódio de mais uma vez ter passado por isso e comecei a jurar pra mim mesma que iria ao menos diminuir, chorava e via que estava me afundando, mas não via saída, dormia não sem antes fumar maconha, porque sono natural já tinha há muito tempo.

 E no dia seguinte o inferno de novo: ser literalmente acordado pelo próprio organismo, “gritando” por droga era questão de 10 minutos no máximo pra eu ter esquecido todo esse processo e começar tudo de novo, mesmo chorando, mesmo tendo prometido pra mim mesma que nesse dia não usaria, a compulsão é tanta que esquecia tudo.
E assim que a doença funciona, não pense que controlamos ou até mesmo que não queremos, simplesmente não conseguimos. Não nesse momento, não antes do fim do poço.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Como ninguém percebeu que eu estava totalmente afundada nas drogas

Bem se antes sem nenhum motivo aceitável eu já conseguia esconder (lembrando que antes meu uso também era mais controlado, eu ainda trabalhava, por ex., ou estava casada), agora eu não tinha mais controle sobre o uso de drogas, eu acordava usando e dormia usando. Como fazer pra família não perceber? Foi mais fácil ainda, eu estava visivelmente destruída pela perda do meu marido, isso era fato, mas também passou a ser uma boa desculpa para meu comportamento e magreza, junto com a depressão e o pânico, evitava que eu tivesse que dar explicações do porque não saia, do porque às vezes precisa andar feito uma louca sem rumo e voltar pra casa, mais estranha e mais acabada do que quanto tinha saído. Usava todas as desculpas, eu sabia quais eram as minhas dores e em quais “gavetas” elas cabiam, mas os outros não precisavam saber. Eu passava a noite acordada e acordava 3, 4 horas da tarde, o porque eu parei por completo de ir a casa de qualquer parente e quando alguém chegava em casa eu logo inventava uma desculpa e não queria ver ninguém, qualquer coisa menos...menos culpar as drogas, sem elas eu não ficaria.
Minha filha era ainda uma criança, nem imagina o quanto eu sofria.
A minha irmã: ela foi minha única aliada nesses anos todos, ela sempre soube e acompanhou toda a minha verdade e por muitas vezes tentou me tirar das drogas, mas quando eu percebi que ela queria mesmo fazer isso eu a “convenci” que sem as drogas eu não ficava, ela percebia o quanto eu ficava aliviada quando eu usavam eu até ria!.( mas ela não gostava de ver drogada, é isso também me incomodava).
Mas foi dessa forma mesquinha de manipular de um adicto que eu a tive ao meu lado, passou a ser minha cúmplice, convencida por mim que assim eu ficava melhor e no mais eu era adulta era ainda responsável por minhas contas e tá... a vida seguia.

Anestesiar a vida com as drogas

Quando a dor pela morte foi absurda, eu aprendi que eu podia amenizar usando droga e passei a usar isso pra tudo, qualquer situação que me acontecesse e eu não tivesse habilidade pra lidar eu fugia pras drogas, esquecia, anulava. Fosse decepção com homens, com quem sabe um trabalho, com o que eu queria e não conseguia, qualquer coisa que não fosse como eu queria.
Eu criei dentro de mim um mecanismo de fuga, de forma tão eficaz que eu comecei a esquecer de tudo, tanto do bem quanto do mal, quando algo me incomodava eu ignorava, usava droga e esquecia (pra quem já tinha tido perda de memória, ficou mais fácil ainda).
Hoje ainda sofro com isso, na verdade muito porque não consigo memorizar quase nada, tenho dificuldade não para entender ou aprender, mas para lembrar de coisas simples, esse mecanismo está sempre ativo me dizendo “vem aqui é mais cômodo”, um psicólogo pode explicar isso melhor... Mas luto pra aprender e memorizar algo novo.
E luto mais ainda pra encara a vida como ela é sem fugir, sem aparecem problemas os encaro e tento resolver só assim sei que haverá um crescimento pessoal, mas pra mim é algo muito difícil, simplesmente ser normal.
O mais importante disso: eu já entendi que a dificuldade está no medo de encarar a realidade, de crescer ( vou falar disso mais adiante).

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

E agora?

O que eu iria fazer uma criança pra criar, uma casa pra cuidar com todas as responsabilidades que isso implica, eu uma total dependente de drogas, sentindo a pior das dores emocionais, me sentindo mais sozinha do que nunca em toda minha vida. Percebendo que minha saúde estava debilitada.
Meu físico, emocional e espiritual destruídos.
Os amigos aos poucos se afastaram, maioria casados cuidando de suas próprias vidas. Existe a lei da troca no mundo, se você procura é procurado senão fica só, eu não sentia mais a menor vontade de ir a lugar algum.
O que me passava na cabeça após a morte do meu marido era: eu já fiz de tudo, sei de tudo, conheço tudo, estudei, trabalhei, viajei, convivi com pessoas loucas e normais, os loucos pouco se importam com minha decadência, os normais não sabem de nada, sai com os homens que quis, realizei fantasias, sou mãe, fui a diversas religiões, li muitos livros, vivi nos dois mundos, e nada absolutamente nada me atraia, a vida daqui pra frente não vai ser novidade, só uma eterna repetição do que já fiz! Era exatamente assim que pensava, nada tem mais graça, beleza, acabou.
Eu até tentei não voltar pra drogas, mas eu odiava o mundo a vida como ela é. Eu não entendia mais como se vive sem drogas. Eu não sabia viver sem drogas.
Pensava, bem...vou viver “no automático”, continuo usando drogas, e no mais seja o que Deus quiser.
Eu muito raramente saia, é quando saia não gostava, não me identificava com nada, comecei aos poucos a me isolar “um não vou hoje, outro amanha” e foi tomando proporção. Numa postagem atrás eu disse que a minha opção de isolamento estava começando e nesse momento da vida ela foi se concretizando.
Minha filha crescendo, eu me isolando, saia somente por ela, por ela ainda tentava alguma coisa, ia a parques, levava pra passear, ela precisava ter uma vida normal, ria por ela, brincava por ela. Mas era assim eu sai por no máximo 2, 3 horas era o tempo que eu conseguia ficar sem droga. Depois disso já começa a passar a mal, tinha que usar (e não saia drogada tinha medo de deixar algo acontecer a ela).
Nesse momento o controle que eu mantive por tantos anos foi por água a baixo, a droga era quem mandava agora, e eu não me importava afinal eu não sabia viver de outra forma.
Eu não conseguia (mal consigo até hoje) lembrar como eu era antes de usar droga, não sei... essa pessoa se perdeu no passado.
Se eu já tinha tendência à depressão nesse momento ela ficou mais evidente. Se eu já tinha tendência à doença da adicção, desse momento em diante ela tomou conta por completo.
Houve momentos que eu não suportava mais procurar respostas e não via nenhum amigo, nem um ser que fosse um pouco mais complexo e vivido do que eu, que pudesse me ajudar, fui fazer terapia, mas eu não falei que usava drogas, ou seja, não ajudou em nada (isso é muito importante: eu acreditava que minha vida tinha se tornado um pesadelo por todos os acontecimentos pessoais, mas jamais culpar as drogas, elas não, elas são minha vida, como eu poderia dizer pra alguém que usava e essa pessoa dizer pra eu parar de usar, a escolha? Mandar a pessoa sumir da minha vida, ficava com as drogas).
Havia no meu caso um relacionamento afetivo com as drogas, é ate absurdo isso, mas é verdade, no decorrer desses anos todos, só vivi dessa forma, a droga me acalmava me fazia esquecer, me relaxava, era terreno que pisava e conhecia, nesse mundo eu entendia tudo, nesse mundo eu sabia viver. Mesmo consciente que eu estava viciada, não tinha a consciência de algo pior, ou melhor, tinha sim, afinal depois que meu marido morreu, eu queria morrer e esse caminho era lento, mas eu sabia que mais cedo ou mais tarde eu iria sair desse mundo Mas era a minha dor pela morte falando mais alto.
Mas não conseguimos enxergar que é cadeia, instituição ou morte o final do caminho de quem usa droga. Ainda existia a ilusão de que comigo não!

(Desse momento em diante, até eu parar de usar droga, são anos de muita confusão emocional, anos que  somente eu senti de forma muito intensa, mas de um vazio tão absurdo que olhando pra trás só consigo ver páginas em branco).

sábado, 6 de novembro de 2010

Arrancaram minha metade!

Estávamos a um mês limpos, felizes, cheios de planos, tínhamos conseguido! Eu principalmente tinha conseguido ficar sem droga, era uma vitória pessoal, não sabia como iria encarar o mundo, mas meu marido estava comigo e acima de tudo a nenê, então valia a pena tentar.
Planejamos um acampamento, desde que eu havia ficado grávida, praticamente não tínhamos mais saído de casa, estava na hora de voltar à vida e dessa vez iríamos levar nossa filha.
Era uma terça feira 09 de janeiro. Eu fui ao medico com a nenê, pra ver que cuidados eu precisa ter com ela (repelente, alimentação, toda prevenção necessária pra se levar uma criança pra acampar).
Quando voltei pra casa, senti algo estranho, o dia na verdade estava estranhamente calmo. Abri o portão, meu irmão veio pegar a nenê do meu colo, eu perguntei o que foi ele não disse nada, na frente estava minha irmã, meu cunhado e o Eri me esperando, eu perguntei o que foi, o que aconteceu, aconteceu alguma coisa com o meu pai? ( meu pai não andava bem de saúde por aqueles dias) e minha irmã me falou: Foi teu marido.
O que houve com ele?... Ele morreu! Como assim... é brincadeira é mentira, é mentira e desmaiei, voltei minutos depois, meu cunhado me pondo no sofá e no primeiro instante nem chorar conseguia, quis saber o que tinha acontecido. Disseram que foi acidente de moto na marginal, extremamente violento ( não consigo descrever os detalhes, dói demais isso). O caixão dele estava lacrado. Ele tinha 30 anos, saudável, lindo, uma das raras pessoas que conheci, que convivi, que amava a vida, como eu até hoje não consegui amar.
Meu mundo acabou nesse momento, nós não éramos um simples casal, nos éramos o casal!. Nos amávamos de verdade. Perdi meu marido, amigo, companheiro, pai, filho, perdi pra morte, acabou.
Passei um ano na casa dos meus pais, não conseguia voltar pra minha casa, voltei pra desmontar moveis, queria mudar tudo.
Enlouquecia gritando, chorando me batendo, que dor absurda a de se perder quem se ama pra morte, dor maldita.
Não me importava mais com nada, já não tinha mundo que me coubesse, nem nas drogas, nem o normal, foi muito doentio esse momento na minha cabeça, na minha dor, na minha vida.
Nem minha filha me importava eu não me importava com nada, só queria morrer e mais nada.

Um ano depois comecei aos poucos a reagir, não conseguia trabalhar, comecei a receber pensão do meu marido ainda bem, eu não sabia mais o que fazer com  a falta de dinheiro. Eu tinha uma filha pra criar e toda uma casa pra sustentar, estava de volta à minha casa, só eu e minha nenê, com toda a dor do mundo. Mais apegada a Deus a minha fé, do que nunca na minha vida (foi minha fé, independente de religião que me fez recomeçar depois desse maldito acontecimento).
Mas nada mais me alegrava, saia com minha irmã e amigos delas, mas não via graça em nada, voltei a me relacionar e foi horrível, sentir outro corpo, porque não era aquele que eu queria. Nada estava bom, nada prestava, nada!
O choque foi tamanho, que aquela tontura que eu vinha sentindo há anos, se instalou de vez, me tornei doente, nem sabia o que tinha mas estava doente, física, emocional e espiritualmente. A idéia de morrer não saia da minha cabeça e qual o caminho que eu conhecia?.. Das drogas, voltei a usar pra literalmente morrer, voltei a injetar, voltei a cheirar, às vezes fumava maconha, porque era também uma forma de tentar amenizar a dor. Queria sumir desse maldito mundo, não pensava em outra coisa. Nem na minha filha, minha família nesse momento foi fundamental, cuidaram, não somente dela como de mim também.

Nossa!, vocês tem idéia de como foi difícil escrever isso, eu queria dar mais detalhes, mas eu não consigo.Vai fazer 12 anos que meu marido morreu e eu o amo, sempre amei e sempre vou amar. Nem é luto, é amor. Fiz terapia, estive em religiões, conversei com pessoas que havaim passado por essa experiência pra tentar aceitar essa dor e entender esse sentimento que esta além da morte.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Voltando às drogas

Quando minha filha estava com exatos 3 anos achei  “que já estava na hora de parar de amamentar...rs” ela me sugou por completo ( mas não tem prazer melhor que dar de mama a um filho, é sublime!), estava muito magra novamente, desmamentei e aguardei exatamente uma semana pra ver se ela não ficaria doente pela falta do amamentação, chorei mais que ela, sofri mais que ela ( sou sensível ao extremo em conseqüência chorona..rs).
Tudo bem, ela estava ótima, graças a Deus.
Era hora de voltar ao meu mundo, porque não agüentava mais viver nesse mundo que não conhecia e não gostava.
Eu e meu marido saímos de moto e  fomos fumar maconha com haxixe ( o néctar da maconha). Chapei por completo, ri das árvores, que saudade de sentir aquela sensação, como era bom estar de volta ( é exatamente assim que pensamos, é assim que sentimos, antes de chegar ao fundo do poço, eu ainda não conhecia o fundo, vi conhecer anos depois).
Nos 3 meses seguintes, voltei a cheirar, muito, muito. Um amigo do meu marido (vou chamá-lo de Eri) , que se tornou meu também, fazia parte de nossas vidas, estávamos sempre juntos, usando juntos, em casa ( eu sempre atenta com a nenê, não descuidei dela, na verdade vivia me vigiando, me policiando, ela estava bem, nunca deixei minha filha sem comida, sem banho, nada, fui mãe acima de tudo). Mas eu decai nas drogas, alguns amigos e até mesmo minha família começou a perceber que eu estava muito magra, eu como manipuladora que aprendi a ser , arrumei desculpas, todo mundo acreditou. Mas eu não estava bem, porque se voltei a usar só na sexta, depois foi sexta e sábado e em seguida estava usando a semana inteira, e piorando porque meu marido ia trabalhar e eu comecei a usar durante o dia, escondido dele.
Eu já não trabalhava mais, fazia 4 anos, havia saído da empresa um mês antes da ficar grávida e como decidi ser mãe em tempo integral, estava sem trabalho. Dona de casa, mãe e adicta mais que na ativa.
Três meses depois de ter retornado as drogas, vi que não dava, eu precisava parar, nós precisávamos, pois, tínhamos uma casa pra sustentar e acima de tudo uma nenê, não dava pra ficar gastando com droga.
E eu pela primeira vez senti vontade de parar. Não era uma vontade convicta, mas já era alguma.
Paramos. Isso foi no começo de janeiro de 99 ( eu estava com 32 anos). Passamos mal juntos, eu mais que meu marido, porque sempre usei mais que ele, e também porque já não tinha a mesma saúde que tive um dia a convulsão tinha me “detonado” fisicamente e acima de tudo psicologicamente.
Hoje: Quando um dependente químico tem uma recaída é a pior coisa, porque nós não recomeçamos, nós continuamos. A doença é latente, só fica à espera do primeiro gole, primeiro trago... e quando isso acontece voltamos exatamente onde estávamos, mais vorazes que nunca, como sempre digo estamos no ponto onde “uma é pouco e mil não bastam”.

domingo, 31 de outubro de 2010

O melhor presente da minha vida: a minha filha!!

Nós últimos meses estava me sentindo melhor, ao menos já me acostumara com o gardenal, me senti confiante em usar droga e não convulsionar, não bebia mais (porque isso eu disse ao médico  e ele me proibiu, o medo foi maior e eu parei, não queria passar por aquele pesadelo novamente), mas estava usando cocaína como nunca, completamente dependente.
No dia 27 de janeiro de 95, foi o show! Rolling Stones no Brasil foi a primeira vez que eles vieram ao Brasil, lógico que eu estava lá, com o meu marido, irmãos, a Suzi o Fuca e a grande maioria dos amigos do Bar, foi uma noite especial, com muita chuva umas 4, 5 horas de chuva ininterruptas, mas que delícia! Claro, maconha e cocaína não faltaram.
Não havia usado muita droga naqueles dias, mas nesse dia em especial usei bastante. E o show foi soberbo!
Lembro que comentei com uma amiga, “minha menstruação esta atrasada” ela me disse se depois dessa chuva toda não vir, você esta grávida. Isso durante o show.
Uma semana depois eu estava fazendo exames e... foi confirmado eu estava grávida!!!
A primeira reação foi de muita alegria, eu estava com 28 anos, ia ser mãe. A benção de Deus, ser mãe!! E meu primeiro pensamento foi: o que vou fazer com as drogas?!  Será que fiz mal pra nenê?!
O meu marido, família toda deliraram com a idéia, há tantos anos não havia nenê em casa e seria a primeira neta.
Primeira atitude minha ao chegar em casa, me ajoelhar e pedir pra Deus, me dar forças pra parar de usar drogas. Eu não ia dar droga para minha nenê, tive as primeiras crises de abstinência na gravidez, mas fui forte, não pensava em outra coisa a  não ser na criança que estava dentro de mim.
Eu podia ser irresponsável comigo, mas não com um anjinho que não tinha culpa de nada e com isso mereci o troféu de mãe do ano..rs, pois, parei de usar drogas, não somente na gravidez, como (pasmem) nos 3 anos seguintes que amamentei minha filha.
Mudei minha alimentação na gravidez, me enchi de vitaminas naturais (frutas, verduras, legumes), ganhei peso necessário (vivia sempre abaixo do peso), mas não escapei de uma anemia, e toma suco de beterraba com laranja. Tudo ok nos exames, meu marido: o melhor do mundo acordava todos os dias 1 hora mais cedo pra preparar minha alimentação e depois ir trabalhar. E assim correu quase que tubo bem, fora o medo que eu sentia de: como vou criar minha filha, usando droga, depressiva... o medo falando mais alto.
Nem por um minuto sequer eu achei que não usaria droga novamente. Eu me controlei, me contive por causa da minha filha, mas não por mim eu tinha certeza que voltaria usar drogas, afinal eu não conhecia outro modo de vida, outra vida que não fosse com drogas, há muitos anos eu era da droga e a droga era minha.

Minha filha nasceu com 3.020kg medindo 49 cm, gorda, saudável, tão corada que parecia uma maçã, muito cabeluda, linda, linda e eu agradeci a Deus por nada ter acontecido com ela. Ela é perfeita. Amém.
Ela é minha vida é a razão de hoje eu estar aqui limpa e escrevendo minha história.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Comecei a me sentir estranha no meu próprio ninho

Voltei a usar droga, uma vez por semana, duas, no começo com receio de ter convulsão novamente, mas a droga me cegava tanto que eu achava que a controlava, apesar de nesse momento depois do que houve e o fato de sentir uma vontade absurda de usar eu comecei a admitir que estivesse viciada.
Porque nesses anos todos, nunca admiti, dizia coisas do tipo: “Eu viciar:? Imagina isso é coisa pra gente fraca” “Comigo não acontece” “Eu controlo as drogas não ela a mim” “Quando eu quiser eu paro”.  Quanto auto-engano!!.
Mas nessa fase eu comecei a perceber que estava perdendo o controle.
Não lembro de muitos acontecimentos dessa fase apenas da tristeza e confusão que tomou conta da minha vida. Estava com depressão, vivia chorando, achando tudo feio, horrível, ninguém me compreendia, nem meu marido me interessava, nada interessa a vida perderá a graça e eu comecei a pedir pra morrer.

A depressão e o pânico foi um capitulo a parte porque isso aconteceu em 93/94, momento esse, que essa doença não era conhecida como é hoje. Tinha ido a diversos médicos, e dizia o que sentia: taquicardia, falta de ar, dormia demais, chorava o tempo todo, pressão no peito, dormência nas mãos e tantos outros sintomas físicos, mas o que mais me perturbava era que eu tinha certeza que estava enlouquecendo. Nem um médico que eu passei na época foi capaz de diagnosticar o que eu tinha. Um dia eu assistindo uma reportagem, me identifiquei com os sintomas com as doenças, fui ao medico com o diagnostico pronto, foi confirmado. Era a maldita depressão e a síndrome de pânico. Tomei por alguns meses uns tarjas preta, não quis tomar mais, parei, porque eu sabia muito bem como usar essa droga para o “mal” no meu organismo, não a sentia como remédio é sim como mais uma de minhas drogas e já bastava o gardenal que eu tomava que me deixava completamente grogue. Cismei que se eu não conseguisse sair desse quadro sozinha ninguém poderia me ajudar (como sempre eu sendo a auto-suficiente, eu me escondendo do mundo e querendo resolver tudo do meu jeito). De certa forma eu tinha razão depende sim do querer pessoal, mas naquele momento uma ajuda poderia ser bem vinda, mas não era só o meu querer, também não encontrei nada convincente como tratamento medico. E por outro lado a maior das preocupações: se eu disser que uso drogas os médicos vão dizer que é tudo culpa da droga e eu não vou parar!
Mesmo assim tentei reagir, tudo estava bem no meu casamento, meu marido, foi tudo que uma mulher pode querer, ficou comigo em todos os momentos afinal era na “saúde e na doença”, então ta.
Ele sempre tentando me alegrar, me tirar no casulo, voltar pro mundo, eu querendo ficar em casa, mas saia ás vezes.

O Bar tinha sido fechado, vitória da policia, nossa opção ou era salão de rock ou encontros na casa de casais amigos, drogados claro, nessa casa aconteceram loucuras, éramos a turma do Bar, agora mais adultos, a grande maioria comprometida, trabalhando, estudando, mas loucos ainda, se o consumo de variedades de droga não era tanto como um dia foi, havia ainda cocaína, maconha e álcool.

Sentia tontura, usava mais droga porque achava que era falta dela e  desse jeito aos trancos e barrancos, achando que eu era capaz de resolver tudo sozinha fui levando.

Eu ia à casa desses amigos mais sempre me sentia isolada, diferente, “porque mesmo eles estão rindo disso? qual a graça mesmo? “que merda, não queria estar aqui, queria estar na minha casa”.
Detalhe: ninguém percebia, nunca ninguém chegou em mim é disse: " vc esta bem, estou achando você diferente? Não! Cada um preocupado consigo mesmo, não era proposital, afinal era espaço pra alegria e não pro meu mundo depressivo. E eu tambem não fazia a menor questão de dizer o que me acontecia. Afinal nunca gostei que soubessem da minha vida e assim fui criando aos poucos meu isolamento emocional. Como tudo tem um preço, essa atitude de isolamento tomou caminhos nada felizes.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Convulsão

Já fazia quatro meses que eu sentia dor de cabeça consecutiva, havia tomado diversos remédios, ido em vários médicos e ouvido diagnósticos diferentes, alguns exames e nada de anormal, mas a dor persistia, podia ser enxaqueca, podia ser sinusite, podia isso ou aquilo e a dor constante.
Uma semana antes do natal (isso em 1993.) cheguei em casa após o trabalho (nesse dia não usei estava cansada) e estavam pintando a casa, assim mesmo me dispus a ajudar naquela bagunça básica que fica. E a dor de cabeça absurda me incomodava, mas depois de tantos meses, já quase havia me acostumado. Eu e meu marido já estávamos juntos, mas não era toda noite que dividíamos a mesma cama, nessa noite em especifico eu dormi com a minha irmã.
De madrugada fui acordada com um cheiro forte de álcool, meus pais, irmãos, ao meu redor, me trocando de roupa, perguntando se eu estava bem. Eu não entendia nada; como alguém que ainda está dormindo, como se fosse um sonho, sentia apenas sono, disseram que iam me levar ao médico, e foi feito. Eu fui no carro tentando dormir e eles me acordando. Chegamos ao hospital fui pra sala do médico eles conversaram com minha família, fui colocada numa maca e me aplicaram uma injeção. Só nesse momento eu voltei à consciência e perguntei o que tinha acontecido comigo, o medico me disse que eu tinha tido uma convulsão. Meu mundo nesse momento caiu, (eu estava dormindo, só não morri porque minha irmã acordou com a cena no mínimo esquisita que é ver alguém convulsionando).
Inferno decretado na minha vida à partir desse momento. O médico perguntou se eu bebia disse que sim, ele me proibiu de beber disse que eu bebesse iria convulsionar novamente, perguntou se eu usava drogas eu disse que não! .
Alguns exames foram feitos e eu comecei a tomar o famoso gardenal ( que não é remédio pra loucura, é sim exclusivamente pra epiléticos), não conseguia me adaptar ao remédio, depois de dois meses foi que comecei a deixar de dormir o dia inteiro. Me deram licença do trabalho. Eu parecia um vegetal!
As seqüelas dessa maldita convulsão:
_ Tive perda de memória, esqueci meu passado quase todo. (hoje recuperei eu diria 70% por cento). Muito do que escrevo aqui, datas, por exemplo, devo aos meus diários.
_ Aquela tristeza que me acompanhava há alguns meses se transformou em depressão e pânico (vou falar sobre isso)
_ Fiquei afastada do trabalho, não conseguia mais fazer o serviço que há anos fazia, simplesmente esqueci e não conseguia aprender novamente.
_ Nos exames que fiz (tomografia, ressonância etc,) nunca apareceu o motivo.

Os anos seguintes foram de  grande sofrimento pessoal, porque eu não aceitava de maneira alguma a convulsão ( não aceito até hoje, aprendi a conviver com esse momento, mas não imaginam o quanto está difícil falar sobre isso).

Essa foi a primeira conseqüência grave do uso de droga, hoje eu sei admito que foram as drogas, mas na época sobre hipótese alguma admitiria.

Quando me senti um pouco melhor, voltei a usar drogas.

domingo, 24 de outubro de 2010

No melhor momento, começa o sofrimento

Com 25 anos comecei a namorar seriamente o homem que viria a ser o meu marido. Me casei oficialmente dois anos depois, mas desde o primeiro momento, já estávamos juntos, já me sentia casada, totalmente apaixonada, amando o homem da minha vida e dos meus sonhos. Casei como manda o figurino: civil, igreja, véu e grinalda, boa parte dos amigos do Bar estavam na festa. Momento único. Eu como boa rebelde que sempre fui, não fazia a menor questão de igreja, mas meus pais não aceitariam de outra forma, então ta. Mas não pensem que foi a experiência mais linda que já tive, na verdade até achei um saco o processo todo..rs. Mas o que importava era estar com ele.
Ele usava drogas também, afinal nós conhecíamos do Bar. Mas ele tinha um limite maior que o meu sempre teve, quando nós saiamos pra cheirar, depois de uns 3, 4 “papeis” ele parava, eu não, queria pelo menos mais uns dois ou três, ou...
Éramos felizes mesmo com as drogas, soubemos manter uma casa, pagar as contas. Nós dois trabalhávamos. Ele um homem extremamente ativo, em todos os sentidos, com uma alegria que raramente encontrei em outras pessoas, eu mais quieta, nós completávamos.
Desse momento em diante eu estava em outra empresa e o meu consumo de droga se resumia a cocaína, só fumava maconha quando estava “estraquinada” demais e precisa relaxar, ou bebia, o meu consumo de álcool  sempre foi em excesso, tudo em excesso!
Nós 2 anos seguintes, viajamos por muitas cidades, outros estados em cima de uma moto nos aventuramos. Se felicidade existia, traduzia-se em nós dois. O amava cada dia mais e ele a mim, não tenho duvida quanto a isso.

Nessa mesma época mesmo feliz, mesmo com tudo bem, fora o uso de droga, eu comecei a ficar triste, uma tristeza do nada que eu não entendi o porquê, para espantar ela, eu fazia o que mais sabia: usar droga, não adiantava. Tentei reagir e em momentos conseguia, mas era uma tristeza que eu não tinha controle, porque “não tinha motivo”. E isso foi se arrastando, dois anos depois eu com 27 anos (vendo no diário foi no mês de agosto) comecei a sentir dor de cabeça, eu continuava triste, essa dor de cabeça persistiu por meses, fui á muitos médicos, tomei diversos remédios, diminui a quantidade de drogas e nada da dor passar era uma dor constante dia e noite.
Quatro meses depois tive uma convulsão.
Aqui começa o real tamanho da droga.

Crack, Cocaína injetável, LSD

O crack nem tinha aparecido em São Paulo e nós já tínhamos aprendido como fazer usando cocaína e outras substâncias, foi a primeira vez. Usei crack por mais 4 vezes em momentos distintos da minha vida, e na última vez que usei, eu disse não quero essa droga, e nem foi por questão de consciência que o crack é a droga mais devastadora que eu já conheci, foi porque eu achei muito trabalhoso, muita sujeira muita cinza de cigarro e acima de tudo porque a reação não durava mais que 5 minutos e uma fissura absurda tomava conta logo em seguida. Todos os usuários, de qualquer droga sofrem quando o vicio toma contas, mas o usuario de crack e tomado por "cegueira" total. Decidi que essa droga eu não ia usar e graças a Deus não usei, hoje vejo como vivem os dependentes de crack e agradeço mil vezes!.

Tomei por muito tempo cocaína injetável (baque, era chamado assim). Eu e a Lua num belo dia com um monte de cocaína na mão, mas cansada de ficar cheirando, tivemos a brilhante idéia de tomar baque, fomos à farmácia, compramos seringas (grinfa, esse era o nome) e voltamos pra casa dela. Colher, liquido pra diluir, grinfa cheia, garrote no braço, e o baque aconteceu. A coisa é tão louca, que eu tive a sensação de ter sido jogada pra trás, numa velocidade muito rápida, um bem estar, uma energia, que poucas vezes senti usando qualquer outra droga em qualquer forma.
Só parei de usar baque porque isso me obrigava a viver de manga comprida, eu não podia, afinal eu tinha que manter a aparência. Mas isso muitos anos depois quando meus braços estavam todos feridos sem um lugar sequer pra uma picada, tanto que tenho cicatriz até hoje.
Hoje: Me diz, isso não era completa insanidade! Podíamos errar uma artéria, podia tudo de mal acontecer, mais uma vez tive sorte, em não pegar aids porque sempre tive o cuidado de tomar com grinfa minha, nunca troquei com ninguém, mas não escapei de uma anemia, doença comum aos viciados.

Minha experiência com LSD. Se tem uma droga que na época eu dizia pra todos, não toma isso! Essa “viagem” é uma “roubada”, foi o Lsd. Perde-se completamente o controle, eu queira voltar pra realidade e não conseguia, passei três dias na casa de uma amiga, andando por lugares que não faço idéia. Tudo começou no Bar, quando uns “gringos” apareceram com uma cartela (parecia uma folha de papel sulfite) cheia de pequenos quadradinhos e eu ganhei um desses quadradinhos e foi uma das viagens mais estranhas da minha vida. Fiquei com muito medo de nunca mais voltar, não quero falar muito disso. Pesadelo!

Estou falando disso porque só assim posso ter explicação pro que veio depois.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Cocaína

A primeira vez que experimentei cocaína não foi na rua, não fui atrás.
Era um dia de domingo, meus pais haviam saído eu estava sozinha em casa arrumando meu quarto, quando um garoto do bairro, do tipo “bem comportado” me chamou, esse “bom menino” meus país não se importavam que viessem em casa. Ele entrou e minutos depois me perguntou: Você já experimentou cocaína? Eu : não, nunca. Ele: eu tenho aqui. Eu: o que precisa? Esse espelho aqui mesmo serve.
Não era muita coisa ele fez duas carreiras pra cada me explicou como fazia, cheirou primeiro e eu em seguida. Meu! O que foi aquilo! Nenhuma das drogas que eu havia usado até então tinha me causado aquela sensação , era algo totalmente diferente da maconha. Me deu uma sensação de liberdade, de alegria, de euforia eu queria andar eu precisa andar e foi o que fiz, andei pelo bairro, sentindo aquela coisa louca, o coração a mil por hora, um tempo depois, não muito, me bateu uma agonia, um certo mal estar que logo passou e em seguida uma certa tristeza, mas muito leve essas sensações desagradáveis. A euforia, energia foi muito, muito melhor. ( Com o uso contante essas sensações invertem, vou explicar depois).
Estava com 18 anos e naquele momento eu pensei, vou ficar longe de cocaína porque isso é muito bom!. E durante anos eu consegui fazer isso, só usava em “ocasiões especiais”, muito raramente usava, até então.
E foi ela que me levou pro inferno anos depois.

Mão na cabeça é a polícia!

Num domingo à tarde começo de noite estávamos na casa de um dos hippies que morava em Santo Amaro num quarto alugado, estávamos em 16 adolescentes, o mais velho tinha 21 (era o dono da casa "goma” ). O restante entre 16 e 19 anos. A casa estava densa de tanta fumaça de maconha, copos cheios de bebidas e anfetaminas, estávamos nos drogando, cantando fazendo artesanato pra expor no dia seguinte.
De repente, um chute na porta. Entraram muitos policiais, e foi aquela história mão na cabeça, todo mundo em pé na parede, e grito daqui e dali. E a conclusão deles, isso aqui é corrupção de menores, vai todo mundo pra delegacia!. Eu gelada dos pés a cabeça pensando, me fudi, vão chamar meus pais!. Colocaram todos no camburão, andei no famoso chiqueirinho e fomos pra delegacia, claro que antes eles fizeram questão de bater em nós, eu levei um tapa na cara que dói até hoje, ficou a dor na memória. Noite inteira na delegacia, muitas perguntas, muita pressão psicológica, que iriam nos prendem, que iriam chamar nossos pais. Mas não houve nada disso, 7 horas da manha eles nos liberaram , inventei mais uma mentira do porque havia passado a noite na rua e ficou por isso mesmo.
Por mais 2 vezes fui pega pela polícia, sempre me santo amaro.Numa delas estava eu e mais 4 caras do bar fumando numa praça “belos e folgados”, quando uma viatura passou nós dispensamos o fragrante, eles deram um cavalo de pau, voltaram e de novo a casa caiu, delegacia mão na cabeça, revistaram os caras, não a mim porque não tinha policial feminina e delegacia novamente, mais uma noite de perguntas, caras feias, xingamentos e muita pressão psicológica. De novo pela manha nos liberam.
E na 3 vez foram todos que estavam no Bar, todos que por ali passavam percebiam o nosso consumo de droga, e é claro a policia queria fechar o estabelecimento. Num dia daqueles deve ter chegado uns 10 camburões e levaram todos, olha que nós éramos uma turma. Sabe essas batidas policias que vemos na televisão, onde ficam muitas pessoas de cara pra parede, todos sendo revistados, policiais, armados, ameaças. Eu estava nesse meio. E mais uma vez delegacia, eles fizeram muitas viagens pra levar todos, e (absurdo isso que vou dizer) foi até divertido, porque estávamos todos juntos, até o Hino Nacional o pessoal resolveu cantar dentro da delegacia. O delegado disse que se não calássemos a boca iria isso e aquilo, e mais conversa. E mais uma vez a noite toda lá. Passei a sentir ódio de polícia na época.
Hoje:  A “cegueira“ de um usuário onde todos estavam errados menos eu, mas vamos admitir a sociedade se hoje engatinha tentando nos ajudar, na época era à base de repressão, nunca funcionou ou contrário, ficava ainda mais revoltada e usava mais, só que ainda mais atenta.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Muita coisa à contar

Dos 19 aos 24 anos, muitas coisas aconteceram na minha vida. Não parei de usar droga e experimentei as mais "pesadas". No campo pessoal tenho muita coisa a dizer, mas como o propósito dessa página e destacar o uso de droga vou citar momentos( se alguém tiver interesse em saber detalhes eu respondo).
__Aos 21 anos me apaixonei, conheci o que é a loucura da paixão, como meus sentimentos sempre foram intensos, foi uma experiencia que jamais vou esquecer. O cara não usava droga ilicita, so a lícita : bebida, o cara era meu encarregado ( não sei como se chama essa função hoje).
__Acampei por anos seguidos, ao menos 2 vezes por ano, conheci lugares lindos, tenho sorrisos na memória até hoje (claro que nos acampamentos levava barra de maconha prensada, podia até faltar cigarro, mas maconha não e muita muita bebida)
__Conheci um pessoal hippie e aprendi a fazer algum artesado com linhas (arte linear), até expus algum tempo, mas nada que me interessava como estilo de vida os hippies vivem num mundo à parte.
__Fiquei nessa empresa 4 anos, logo que sai arrumei serviço num banco, no qual fiquei mais 2 anos.
__Deixei o pessoal hippie e comecei a andar com o pessoal heavy metal, usava aquele visual todo preto.
__Muito salão de rock (Fofinho e Led Slay), nesses salões era uma loucura completa, nós fazíamos coquetel de bebidas, não éramos "quase" de ninguém. Eu virava a noite entre cheirar cocaína e beber e por ultimo fumar um baseado pra "relaxar" e voltar pra casa com o dia amanhecendo (claro eu estava, para os meus pais, em qualquer outro lugar). Na verdade eles nunca souberam de verdade onde andei minha vida toda.
__Shows de rock, assisti a milhares, bandas nacionais, internacionais. Que momento gostoso da minha história.
__No bar eu tive a família que me compreendia.
__No Bar eu conheci o homem que viria a ser meu marido. Vou falar mais dele, claro.
__Religião foi um capítulo à parte, sou católica, mas como minha curiosidade pelo novo sempre me levou a muitos lugares, também conheci diversas religiões, que por um tempo até foram interessante, depois algumas delas viraram um tormento (mas deixo claro que respeito a opção de cada um).
__Li muito, como sempre gostei de escrever, em consequencia ler também, nunca tive autor predileto, lia o que aparecia, li muita coisa boa, como Jorge Amado, por ex. até Paulo Coelho que apesar de toda critica, acho que merece um olhar mais atento, porque é o escritor mais vendido no mundo todo. ( mas não esta entre meus prediletos).
__Sexo, também me tornei compulsiva tudo oque gostei mesmo, na minha vida me viciei, tive inclusive que me tratar anos depois pra controlar minha compulsão. Na verdade me trato, mas algumas até gosto..rs (cinica).

Todos esses momentos recheados com muita droga, exceto as horas que trabalhava no banco, nesse lugar não fumava, não é brincadeira trabalhar com dinheiro, então me continha, mas saia de lá por uma rua mais deserta e fumava, para ir para casa. Na empresa anterior, num certo tempo em diante, eu fumava todo dia na hora do almoço e voltava a trabalhar, ficava mais lenta, mas nem por isso deixava de fazer meu serviço e o mais absurdo é que meu gerente nunca nem sonhou com isso.
Eu aprendi a ser hipócrita, a dissimular, a mentir e manipular com perfeição. Até então eu ainda me conhecia e mostrava esses sentimentos para os outros. Só não atentava que eu voltava esses sentimentos aos poucos para mim mesma. Percebo hoje.