Me deu vontade de gritar ao mundo, toda a minha experiência com drogas, ao absurdo que essa escolha me levou. Não vou poupar palavras, palavrões, sentimentos, nenhum deles, todos seram ditos sem a menor maquiagem, afinal se não poupei minha vida, não será agora que vou medir palavras.

Tudo que ler é a mais pura verdade, como vivo agora e muitos momentos de meus diários, escrevi tudo esses anos todos. Não vou citar nomes verdadeiros, nem o meu, muito menos os daqueles que comigo dividiram esses 26 de vida no uso ativo de drogas. As informações que eu omitir será apenas para evitar que invadam minha privacidade, minha vida no momento.

Não sei que ordem vou dar a cada postagem, não sei se vou seguir ordem cronólogica. Vai assim do jeito que eu sentir vontade de contar. (Desculpem, se na forma de redigir contém erros seja eles quais forem eu sei que é agradável aos olhos ler algo sem erros, mas como não sou escritora e estou mais atenta aos sentimentos, é bem provável que vá acontecer mas vou tentar me policiar).

Caso queiram entrar em contato, para dúvidas, perguntas, alguma curiosidade - email:
existenciaativa@hotmail.com

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Mão na cabeça é a polícia!

Num domingo à tarde começo de noite estávamos na casa de um dos hippies que morava em Santo Amaro num quarto alugado, estávamos em 16 adolescentes, o mais velho tinha 21 (era o dono da casa "goma” ). O restante entre 16 e 19 anos. A casa estava densa de tanta fumaça de maconha, copos cheios de bebidas e anfetaminas, estávamos nos drogando, cantando fazendo artesanato pra expor no dia seguinte.
De repente, um chute na porta. Entraram muitos policiais, e foi aquela história mão na cabeça, todo mundo em pé na parede, e grito daqui e dali. E a conclusão deles, isso aqui é corrupção de menores, vai todo mundo pra delegacia!. Eu gelada dos pés a cabeça pensando, me fudi, vão chamar meus pais!. Colocaram todos no camburão, andei no famoso chiqueirinho e fomos pra delegacia, claro que antes eles fizeram questão de bater em nós, eu levei um tapa na cara que dói até hoje, ficou a dor na memória. Noite inteira na delegacia, muitas perguntas, muita pressão psicológica, que iriam nos prendem, que iriam chamar nossos pais. Mas não houve nada disso, 7 horas da manha eles nos liberaram , inventei mais uma mentira do porque havia passado a noite na rua e ficou por isso mesmo.
Por mais 2 vezes fui pega pela polícia, sempre me santo amaro.Numa delas estava eu e mais 4 caras do bar fumando numa praça “belos e folgados”, quando uma viatura passou nós dispensamos o fragrante, eles deram um cavalo de pau, voltaram e de novo a casa caiu, delegacia mão na cabeça, revistaram os caras, não a mim porque não tinha policial feminina e delegacia novamente, mais uma noite de perguntas, caras feias, xingamentos e muita pressão psicológica. De novo pela manha nos liberam.
E na 3 vez foram todos que estavam no Bar, todos que por ali passavam percebiam o nosso consumo de droga, e é claro a policia queria fechar o estabelecimento. Num dia daqueles deve ter chegado uns 10 camburões e levaram todos, olha que nós éramos uma turma. Sabe essas batidas policias que vemos na televisão, onde ficam muitas pessoas de cara pra parede, todos sendo revistados, policiais, armados, ameaças. Eu estava nesse meio. E mais uma vez delegacia, eles fizeram muitas viagens pra levar todos, e (absurdo isso que vou dizer) foi até divertido, porque estávamos todos juntos, até o Hino Nacional o pessoal resolveu cantar dentro da delegacia. O delegado disse que se não calássemos a boca iria isso e aquilo, e mais conversa. E mais uma vez a noite toda lá. Passei a sentir ódio de polícia na época.
Hoje:  A “cegueira“ de um usuário onde todos estavam errados menos eu, mas vamos admitir a sociedade se hoje engatinha tentando nos ajudar, na época era à base de repressão, nunca funcionou ou contrário, ficava ainda mais revoltada e usava mais, só que ainda mais atenta.

3 comentários:

  1. Vida,
    ..."eu levei um tapa na cara que dói até hoje, ficou a dor na memória."
    Esta figura de linguagem que você usou é fantastica pra descrever a revolta pela repressão violenta e despreparada.
    Hoje melhorou mas ainda esta muito aquem...
    A repressão da epoca os obrigava a ir mais fundo,aprimorar a esperteza, e desafiar a autoridade , se afastando mais do convivio fora do grupo, não é mesmo?

    (Obrigado pelo elogio, passa mais por lá para umas risadas)

    bjo

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  2. Vida...muitas vezes a que mais marca é a dor psicológica....aquela que a gente nunca esquece...
    Quando se usa droga, se sente ser um super homem, ou super mulher...não há limites e nem o medo...
    Você se arriscou demais, minha doce menina...

    Gosto de você, viu?Lhe admiro!

    Beijo neste coração gigante!

    Bia

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  3. Exatamente isso Lufe. Não ajudava em nada.
    Irei sim,
    Beijos

    ______________________________________

    Bia,
    Infelismente me arrisquei mais ainda, não com policia, mas com minha vida, eu creio q vc estará comigo até o final..rs
    Sim, somos os "auto suficientes", Mentira!!

    Beijos

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