Me deu vontade de gritar ao mundo, toda a minha experiência com drogas, ao absurdo que essa escolha me levou. Não vou poupar palavras, palavrões, sentimentos, nenhum deles, todos seram ditos sem a menor maquiagem, afinal se não poupei minha vida, não será agora que vou medir palavras.

Tudo que ler é a mais pura verdade, como vivo agora e muitos momentos de meus diários, escrevi tudo esses anos todos. Não vou citar nomes verdadeiros, nem o meu, muito menos os daqueles que comigo dividiram esses 26 de vida no uso ativo de drogas. As informações que eu omitir será apenas para evitar que invadam minha privacidade, minha vida no momento.

Não sei que ordem vou dar a cada postagem, não sei se vou seguir ordem cronólogica. Vai assim do jeito que eu sentir vontade de contar. (Desculpem, se na forma de redigir contém erros seja eles quais forem eu sei que é agradável aos olhos ler algo sem erros, mas como não sou escritora e estou mais atenta aos sentimentos, é bem provável que vá acontecer mas vou tentar me policiar).

Caso queiram entrar em contato, para dúvidas, perguntas, alguma curiosidade - email:
existenciaativa@hotmail.com

domingo, 31 de outubro de 2010

O melhor presente da minha vida: a minha filha!!

Nós últimos meses estava me sentindo melhor, ao menos já me acostumara com o gardenal, me senti confiante em usar droga e não convulsionar, não bebia mais (porque isso eu disse ao médico  e ele me proibiu, o medo foi maior e eu parei, não queria passar por aquele pesadelo novamente), mas estava usando cocaína como nunca, completamente dependente.
No dia 27 de janeiro de 95, foi o show! Rolling Stones no Brasil foi a primeira vez que eles vieram ao Brasil, lógico que eu estava lá, com o meu marido, irmãos, a Suzi o Fuca e a grande maioria dos amigos do Bar, foi uma noite especial, com muita chuva umas 4, 5 horas de chuva ininterruptas, mas que delícia! Claro, maconha e cocaína não faltaram.
Não havia usado muita droga naqueles dias, mas nesse dia em especial usei bastante. E o show foi soberbo!
Lembro que comentei com uma amiga, “minha menstruação esta atrasada” ela me disse se depois dessa chuva toda não vir, você esta grávida. Isso durante o show.
Uma semana depois eu estava fazendo exames e... foi confirmado eu estava grávida!!!
A primeira reação foi de muita alegria, eu estava com 28 anos, ia ser mãe. A benção de Deus, ser mãe!! E meu primeiro pensamento foi: o que vou fazer com as drogas?!  Será que fiz mal pra nenê?!
O meu marido, família toda deliraram com a idéia, há tantos anos não havia nenê em casa e seria a primeira neta.
Primeira atitude minha ao chegar em casa, me ajoelhar e pedir pra Deus, me dar forças pra parar de usar drogas. Eu não ia dar droga para minha nenê, tive as primeiras crises de abstinência na gravidez, mas fui forte, não pensava em outra coisa a  não ser na criança que estava dentro de mim.
Eu podia ser irresponsável comigo, mas não com um anjinho que não tinha culpa de nada e com isso mereci o troféu de mãe do ano..rs, pois, parei de usar drogas, não somente na gravidez, como (pasmem) nos 3 anos seguintes que amamentei minha filha.
Mudei minha alimentação na gravidez, me enchi de vitaminas naturais (frutas, verduras, legumes), ganhei peso necessário (vivia sempre abaixo do peso), mas não escapei de uma anemia, e toma suco de beterraba com laranja. Tudo ok nos exames, meu marido: o melhor do mundo acordava todos os dias 1 hora mais cedo pra preparar minha alimentação e depois ir trabalhar. E assim correu quase que tubo bem, fora o medo que eu sentia de: como vou criar minha filha, usando droga, depressiva... o medo falando mais alto.
Nem por um minuto sequer eu achei que não usaria droga novamente. Eu me controlei, me contive por causa da minha filha, mas não por mim eu tinha certeza que voltaria usar drogas, afinal eu não conhecia outro modo de vida, outra vida que não fosse com drogas, há muitos anos eu era da droga e a droga era minha.

Minha filha nasceu com 3.020kg medindo 49 cm, gorda, saudável, tão corada que parecia uma maçã, muito cabeluda, linda, linda e eu agradeci a Deus por nada ter acontecido com ela. Ela é perfeita. Amém.
Ela é minha vida é a razão de hoje eu estar aqui limpa e escrevendo minha história.

7 comentários:

  1. Fico as vezes sem comentar mas continuo acompanhando todo seu relato.
    Cada vez mais aumenta a minha convicção do "gostar".
    Mas eu ainda me pergunto porque? Até o final do relato eu devo saber....

    Que barato a sua gravidez e as consequencias dela, ocorrendo em torno de uma criança que deveria ser preservada, cuidada e acarinhada.
    Você teve forças para isso. Parabéns, mesmo!!!

    bjo

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  2. Oie, passei para te deixar beijosss e te desejar um super feriado.
    Beijosssssss

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  3. Descobri seu blog e estou seguindo. Gostei muito. Quando puder, passe lá: www.psicoevida.com
    Palmas e beijo pra você!
    @elianabess

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  4. Vida!!

    Que feliz que fiquei lendo esta tua postagem!!Uma filha!!!Que coisinha mais linda !E mais:Uma filhotinha perfeitinha, gosrduchinha,"tão corada que parecia uma maçã"...
    Que lindo isto!E você que conseguiu ficar limpa por um super tempo!Nota 10!!

    Menina, se soubesse como eu quero teu bem...

    beijos no coração!!!

    Bia

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  5. Lufe,

    Infelismente o gostar existe, mas se torna um sentimento tão pequeno, quando o vício se instala por completo no corpo mente e alma, que chega um ponto que eu (ou qualquer um outro) já não entende mais o porque desse "gostar" doentio.É acima de tudo doença e deve ser tratada como tal.
    Minha Cria é linda!! amoooo mais que tudo no mundo..rs
    Beijos

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    Oi Rosane, beijos pra vc

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    Eliana,
    Muito obrigada, vou sim com certeza.
    Grata pelo incentivo.
    Beijos

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    Bia,

    Mãe acima de tudo, sou o tipo coruja, descobri algo interessante: "mãe é um ser sem noção"..rs
    Ainda continuo tratado-a como nenê, mesmo vendo a moça que está ainda é meu nenê e ponto..rs

    Beijos, carinho.

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  6. Emocionante! Poucas pessoas conseguiriam ter um ato de altruísmo como esse. Parabéns!

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  7. Comecei a ler os seus textos por a ter vista como seguidora no blogue A Minha Travessa do Ferreira de que também sou seguidora. Há muita verdade e dor no que aqui está, identifiquei-me um pouco com a perda porque passou e achei-a muito corajosa e admirável por ter conseguido deixar de consumir pela sua filha, enquanto estava grávida e a amamentar. Acho que vou continuar a ler em silêncio, mas queria só dizer-lhe que fiquei a admirá-la e a torcer por si.
    Gábi

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